Dor na relação: é normal sentir dor no útero durante o sexo?
É normal sentir dor no útero durante a relação? Entenda as principais causas da dor na relação sexual e quando procurar um especialista.


Escrito e revisado por
Prof. Dr. Álvaro Pigatto Ceschin
Ginecologia | Reprodução Humana · CRM-PR 10060
Dor na relação não é considerada normal e deve ser investigada por um ginecologista. Embora muitas mulheres experimentem desconforto durante a vida sexual, sentir dor frequente durante ou após a relação pode indicar condições ginecológicas, hormonais ou musculares que merecem atenção médica.
Além de impactar a qualidade de vida, a dor durante a relação sexual pode estar associada a doenças que também afetam a fertilidade, como a endometriose. Por isso, identificar a causa do sintoma é importante não apenas para o bem-estar, mas também para a saúde reprodutiva.
Na Feliccità Instituto de Fertilidade, em Curitiba-PR, a investigação é realizada de forma individualizada, considerando a história clínica e os objetivos reprodutivos de cada paciente.
O que pode causar dor na relação?
A dor durante a relação sexual, chamada clinicamente de dispareunia, pode ter diferentes origens. Em alguns casos, a dor ocorre na entrada da vagina. Em outros, é percebida de forma profunda, gerando a sensação de vir do útero ou da região pélvica.
Entre as principais causas estão:
- Endometriose;
- Vaginismo;
- Falta de lubrificação vaginal;
- Infecções vaginais;
- Infecção urinária ou cistite;
- Alterações hormonais;
- Tensão da musculatura pélvica.
A intensidade da dor pode variar de leve desconforto até dor intensa que dificulta ou impede as relações sexuais.
Endometriose e dor profunda durante a relação
A endometriose é uma das causas mais frequentes de dor na relação. A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outras estruturas da pelve.
Quando as lesões estão localizadas atrás do útero ou próximas à vagina, a penetração profunda pode provocar dor intensa.
Além da dor durante o sexo, outros sintomas comuns incluem:
- cólicas menstruais intensas;
- dor pélvica crônica;
- alterações intestinais durante a menstruação;
- dificuldade para engravidar.
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva.
Outras causas comuns de dor na relação
Nem toda dor durante o sexo está relacionada à endometriose.
Vaginismo
O vaginismo provoca contrações involuntárias da musculatura ao redor da vagina, dificultando a penetração e causando dor. O problema pode estar relacionado a fatores físicos ou emocionais.
Falta de lubrificação
A lubrificação insuficiente aumenta o atrito durante a relação sexual. Isso pode causar ardência, desconforto e pequenas lesões na mucosa vaginal.
As causas incluem:
- alterações hormonais;
- menopausa;
- uso de medicamentos;
- estresse;
- baixa excitação sexual.
Candidíase e infecções vaginais
Infecções vaginais podem causar inflamação, sensibilidade local e desconforto durante a penetração.
Além da dor, é comum ocorrer:
- coceira;
- corrimento;
- vermelhidão;
- ardência.
Infecção urinária
A cistite também pode gerar desconforto durante ou após a relação sexual, especialmente quando existe inflamação da bexiga.
Quando a dor na relação pode afetar a fertilidade?
Algumas condições associadas à dor durante a relação também podem comprometer as chances de gravidez.
A principal delas é a endometriose, considerada uma das causas mais frequentes de infertilidade feminina.
Além disso, doenças inflamatórias pélvicas, infecções ginecológicas e alterações hormonais podem impactar tanto a saúde íntima quanto a fertilidade.
Por esse motivo, mulheres que apresentam dor recorrente e dificuldade para engravidar devem procurar avaliação especializada.
Quando procurar um ginecologista?
É importante buscar atendimento médico quando a dor:
- acontece com frequência;
- piora ao longo do tempo;
- interfere na vida sexual;
- está associada a cólicas intensas;
- ocorre junto com sangramento;
- acompanha dificuldade para engravidar.
O diagnóstico pode incluir exame físico, ultrassonografia, exames laboratoriais e avaliação do histórico clínico.
Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as possibilidades de tratamento.

