Pesquisadores desenvolvem ovário artificial

Pesquisadores desenvolvem ovário artificial

Fonte: FEBRASGO – acessado 31/08/2018

Pesquisadores dinamarqueses divulgaram o desenvolvimento de um ovário artificial que permitirá a gestação em mulheres inférteis devido à quimioterapia e radioterapia. O anúncio ocorreu durante encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana, em Barcelona, na Espanha.

“A proposta dos estudiosos da Dinamarca é retirar o folículo ovariano e estimulá-lo fora do útero para obter óvulos. Quando retirados, eles ficam em uma estrutura majoritariamente de colágeno, obtida a partir de células ovarianas. Isso é o que eles chamam de ovário artificial”, explica o ginecologista Rui Alberto Ferriani, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada de Reprodução Humana, da FEBRASGO. Desta forma, prossegue o médico, quando reimplantados, a mulher poderá uma gravidez normal, sem a necessidade de fazer fertilização in vitro.

O tratamento para combater o câncer pode causar a infertilidade. Atualmente para mulheres que serão submetidas a quimioterapia ou radioterapia recomenda-se o congelamento de óvulos e  quando  querem engravidar precisam fazer fertilização in vitro.

Outra opção é remover parte do tecido ovariano e congelá-lo antes do início do tratamento. Quando a paciente estiver curada, é reinserido no organismo para viabilizar uma gravidez natural.

“A lesão do ovário pela quimioterapia é um problema. Então dispomos da fertilização ou da remoção do tecido para que essa mulher possa ser mãe. A dificuldade dessa última técnica é que o tecido pode conter células cancerígenas e quando reinserimos existe a possibilidade de o câncer reincidir”, ressalta Ferriani.

O médico ainda alerta: a infertilidade depende do tipo de quimioterapia e da idade da paciente.

“Não são todos os tratamentos com quimioterapia que deixam a mulher infértil. A idade mais avançada e alguns tipos de quimioterapia podem ter um impacto maior sobre a função do ovário”.

A técnica poderá beneficiar também mulheres com esclerose múltipla e beta-talassemia, que passam por tratamentos agressivos, e aquelas com menopausa precoce.

Ainda na fase inicial de desenvolvimento, o ovário artificial deverá ser testado em humanos dentro de 5 a 10 anos, segundo informação dos pesquisadores.

Compostos do cigarro podem interferir na fertilidade da mulher e do homem

Compostos do cigarro podem interferir na fertilidade da mulher e do homem

Fonte: SBRA – acessado 30/08/2018

O tabaco é a principal droga lícita mais consumida na atualidade. Estima-se que até 50% dos homens e quase 1/3 das mulheres, em idade reprodutiva, façam seu uso.  Em alusão ao 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco, o médico creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Eduardo Leme Alves da Mota explica como o tabaco pode afetar a fertilidade da mulher e do homem.

De acordo com Eduardo, o cigarro com seus diversos compostos, entre os quais se destacam a nicotina e o monóxido de carbono, tem a capacidade de se ligar a receptores específicos nas células e promover um fenômeno chamado de atresia, ou perda da função e morte desta célula. “Assim nas células germinativas, como o óvulo e/ou o espermatozoide, existe uma acentuada queda na sua qualidade e diminuição do número, o que especialmente para as mulheres pode ter um enorme impacto na capacidade reprodutiva.”, explica.

Estudos revelam a queda do potencial e no número dos óvulos. Pesquisadores já mostraram que em fetos abortados do sexo feminino, em grávidas fumantes, o número de óvulos formados era menor se comparado a grávidas não fumantes. Nas mulheres em idade reprodutiva, a quantidade de hormônio necessário para estimular a ovulação é maior nas fumantes se comparado às não fumantes e as taxas de fertilização e crescimento dos embriões em laboratório são piores.

Além disso, acrescenta o médico, as fumantes, em geral, tendem a entrar na menopausa cerca de dois anos antes. “Nos homens, estes estudos não são tão conclusivos, mas convém ressaltar que a produção de espermatozóides é muito maior do que o mínimo necessário.”

TABACO x GESTAÇÃO: Além da ação da reação oxidativa nas células, a nicotina produz uma contração na musculatura das artérias, acarretando diminuição do fluxo sanguíneo. Os bebês de grávidas fumantes tendem a apresentar menor peso e piores condições respiratórias ao nascimento. Hipertensão arterial e descolamento prematuro da placenta podem ser outras complicações também.

TABACO X SAÚDE DO BEBÊ: Em função da menor oxigenação ao longo da gravidez, o coração do bebê tende a apresentar ritmos mais acelerados, o que desgasta a atividade cardíaca, aumenta a prematuridade em função da ação nociva do tabaco e podem existir defeitos de formação. “Há também maior risco de óbito fetal intra-útero”, finaliza o médico.

Por Deborah de Salles
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

Exames de reserva ovariana e as alternativas para a gravidez tardia

Exames de reserva ovariana e as alternativas para a gravidez tardia

Fonte: SBRA –  acessado 29/08/2018

A idade é um fator preponderante para a fertilidade, especialmente a feminina. Estimativas apontam que o pico da fertilidade da mulher acontece por volta dos 25 anos e que, a partir dos 35, a quantidade de óvulos presentes no ovário tende a diminuir de maneira mais acelerada. Por isso, é fundamental que as mulheres conheçam seu potencial reprodutivo por meio de exames preventivos capazes de detectar a reserva ovariana. Esse será um dos temas discutidos no XXII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, que acontece em Brasília durante os dias 1 a 4 de agosto.

“Os testes de reserva ovariana são recomendados para estimar a resposta ovariana ao estimulo hormonal da indução da ovulação. Os resultados são fatores que auxiliam na condução dos procedimentos assistidos” explica o médico creditado pela SBRA, Marcelo Gondim. Na entrevista abaixo, o ele explica quais são os exames que a mulher deve realizar para se ter uma a ideia do tempo de vida útil dos óvulos e a maneira mais assertiva para um planejamento de gravidez.

1 – Como detectar o envelhecimento do ovário?

Marcelo Gondim – Existem vários exames que podem estimar a reserva ovariana, dentre eles podemos citar o FSH, o AMH, a CFA.

O AMH é um dos exames mais recentes por ser mais preciso e fiel aos valores obtidos.  Entretanto, o AMH tem um custo elevado e os valores de referência podem variar entre os “kits” disponíveis para a realização do mesmo, podendo levar a interpretações erradas. Isso porque os laboratórios de análises clínicas utilizam aparelhos diferentes, fazendo com que tenhamos valores de referências distintos.

A CFA é um exame barato e simples de fazer. É uma contagem dos pequenos folículos na periferia do ovário, por meio do ultrassom no início do ciclo menstrual. É um exame importante que interfere na escolha da dose de medicamento e no prognóstico da resposta nos ciclos de fertilização in vitro.

O FSH é um exame que vem perdendo um pouco a sua importância porque pode variar dentro do ciclo menstrual. Seu resultado pode ser influenciado por algumas substâncias como os hormônios, por exemplo.

2 – Qual a importância desses hormônios na infertilidade?

Marcelo Gondim – Esses hormônios nos ajudam a ter um prognóstico e a programar qual o melhor tratamento.

3 – O que os resultados indicam?

Marcelo Gondim – CFA acima de 9 e um AMH alto indicam  uma boa reserva ovariana. Um CFA e AMH baixo estão associados a um prognóstico ruim. Devemos lembrar ainda que a idade feminina é um dos principais fatores que indicam uma boa reserva.

4 – Caso não seja uma quantidade ideal, como proceder?

Marcelo Gondim – Caso tenhamos exames alterados, orientamos um tratamento terapêutico ao casal. Entre os tratamentos de reprodução assistida mais indicados e bem sucedidos está a Fertilização In Vitro porque aumenta a chance de hiperestimulação ovariana e de uma quantidade maior de óvulos a serem utilizados.

CBRA – Brasília receberá, de 1 a 4 de agosto de 2018, o XXII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (XXII CBRA). Cerca de mil profissionais entre médicos, biólogos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais são aguardados no evento, além dos principais nomes da medicina reprodutiva internacional e dos autores dos mais importantes trabalhos científicos na área. O encontro permite a trocar experiência entre os pares para buscar alternativas destinadas aos pacientes que desejam realizar o sonho de ter um filho.

A iniciativa é da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), que também tem realizado o Movimento da Fertilidade com ações educativas na área da saúde voltadas ao homem e a mulher. Os próximos encontros acontecerão nos dias 21 de julho, 28 de julho e 4 de agosto nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo; Curitiba, Porto Alegre, Goiânia; e Brasília, respectivamente.

Saiba mais em: http://sbracongressos.com.br

Por Deborah de Salles
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

Útero retrovertido

Útero retrovertido

útero é um órgão oco, com o formato aproximado de uma pera invertida. Localizado no interior da pelve (bacia), sua extremidade superior chama-se fundo. A porção inferior, mais estreita, em contato direto com a parte de cima da cavidade vaginal, recebe o nome de colo, cérvix ou cérvice. Entre uma e outra está o corpo do útero, o segmento mais dilatado de todo o sistema reprodutor feminino. Constituído por espessa camada de musculatura lisa (miométrio), na maioria das mulheres, o fundo do útero se projeta para frente do abdômen flexionado sobre a bexiga urinária (anteroversoflexão).

O útero não é um órgão fixo dentro da cavidade pélvica. Ele é mantido no lugar por meio de diversos ligamentos. No entanto, estudos mostram que, entre 15% e 25% das mulheres apresentam o útero retrovertido. Ou seja, o órgão está fletido para trás, com o fundo em forma de cúpula virado na direção da coluna vertebral e do reto, porção final do intestino grosso.

Causas

Algumas mulheres podem ser portadoras de útero retrovertido (reverso, retroflexo, virado são outros nomes dessa condição) desde o nascimento. Noutras, a retroversão pode ser adquirida nas seguintes circunstâncias: durante o parto (posição em geral transitória), pela flacidez dos ligamentos que fixam o útero à pelve ou a outros órgãos, pela presença de miomas ou de cicatrizes provocadas por focos da endometriose ou por infecções pélvicas.

Ao contrário do que muitos pensavam no passado, a retroversoflexão do útero não é responsável pela infertilidade feminina. Essa posição é uma variante anatômica normal e não costuma ter consequências graves para a saúde da mulher ou do feto. Entretanto, o útero retroverso está mais associado aos casos de endometriose, uma doença inflamatória crônica do tecido endometrial fora da cavidade uterina. Uma das hipóteses para explicar a endometriose é que parte do sangue menstrual que contém células do endométrio reflui através das trompas e se deposita em outros órgãos da cavidade abdominal e nos ovários. É a chamada menstruação retrógrada, que pode dificultar a gravidez.

Sintomas

A alteração no posicionamento do útero pode ser assintomática. Quando há sintomas, os mais comuns são:

  • dor durante o ato sexual (dispareunia);
  • cólicas menstruais fortes (dismenorreia);
  • dor durante a evacuação (proctalgia);
  • dor durante a micção (disúria);
  • dor nas costas e na coluna lombar.

Diagnóstico

A retroversão uterina pode ser diagnosticada ocasionalmente no exame ginecológico numa consulta de rotina, sem nunca ter causado nenhuma alteração. No entanto, uma vez levantada a hipótese de útero retroflexo, a ultrassonografia transvaginal é um exame útil que deve ser recomendado para confirmar o diagnóstico.

Determinar a posição do útero pode ser importante em alguns momentos da vida da mulher. Por exemplo: na fecundação in vitro, quando o médico vai inserir os embriões, ou quando vai colocar um DIU ou, ainda, durante a realização de exames como a histeroscopia.

Tratamento

Não havendo sintomas, o útero retrovertido não precisa de tratamento. Quando eles se manifestam, muitas vezes o problema é resolvido com a indicação de hormônios para regular o ciclo menstrual . O importante, porém, é sempre identificar e tratar uma possível causa subjacente do transtorno, seja a endometriose ou os miomas, por exemplo.

A indicação de cirurgia para reposicionar o útero sobre a bexiga urinária na anteroversoflexão pode ser absolutamente desnecessária a não ser em casos específicos de acordo com a avaliação do médico ginecologista. Um deles é a retroversão do útero ocorrer no início da gravidez provocando o aprisionamento ou encarceramento do útero na pequena pelve.

Recomendações

  • Útero retrovertido não é doença. Pode indicar, apenas, uma posição anatômica natural que o órgão pode ocupar no corpo;
  • Condições como bexiga cheia e envelhecimento, entre outras, podem promover o deslocamento do útero sem causar nenhum problema para a saúde da mulher;
  • A retroversão do útero não impede que a mulher engravide e que a criança nasça por parto normal;
  • Útero projetado para trás do corpo, na direção do reto, não é causa de endometriose. Ao contrário, é a endometriose que pode ser responsável pela mudança de posição do útero;
  • Não existe um protocolo único para o tratamento da retroversão uterina. As medidas terapêuticas variam conforme as peculiaridades de cada caso.

Fonte:  Drauzio Varela – acessado 22/08/2018

Síndrome do ovário policístico

Síndrome do ovário policístico

Autora: Maria Helena Varella Bruna

Os ovários são dois órgãos, um de cada lado do útero, responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos e por acolher os óvulos que a mulher traz consigo desde o ventre materno. Entre 20% e 30% das mulheres podem desenvolver cistos nos ovários, isto é, pequenas bolsas que contêm material líquido ou semissólido. São os ovários policísticos, que normalmente não têm importância fisiológica, mas que em torno de 10% estão associados a alguns sintomas. Os outros casos são assintomáticos.

A diferença entre cisto no ovário e ovário policístico está no tamanho e no número de cistos.

A síndrome acomete principalmente mulheres entre 30 e 40 anos e o diagnóstico tornou-se mais preciso com a popularização do exame de ultrassom.

Sintomas

* Alterações menstruais – As menstruações são espaçadas. Em geral, mulher menstrua apenas poucas vezes por ano;

Hirsutismo – Aumento dos pelos no rosto, seios e abdômen;

Obesidade –Ganho significativo de peso piora a síndrome;

Acne – Em virtude da maior produção de material oleoso pelas glândulas sebáceas;

Infertilidade.

Causas

Não foi estabelecida ainda a causa específica da síndrome dos ovários policísticos. Sabe-se que 50% das mulheres com essa síndrome têm hiperinsulinismo e o restante apresenta problemas no hipotálamo, na hipófise, nas adrenais e produz maior quantidade de hormônios masculinos.

Tratamento

Como se trata de uma doença crônica, o tratamento é sintomático.

Mocinhas de 15 ou 16 anos, obesas, com pelos no rosto e no corpo e acne precisam emagrecer. Às vezes, só a perda de peso ajuda a reverter o quadro. Se não forem obesas, a atenção se volta para o controle da produção de hormônios masculinos, o que se consegue por meio de pílulas anticoncepcionais. Essa medicação atua também na unidade pilossebácea reduzindo a produção de sebo e o crescimento dos pelos.

Os casos de infertilidade respondem bem ao clomifeno, um indutor da ovulação. Se isso não acontecer, pode-se estimular os ovários com gonadotrofinas. Atualmente, é possível, ainda, fazer a cauterização por laparoscopia.

Recomendações

* Consulte regularmente seu ginecologista. Não deixe de fazer o exame ginecológico e outros que ele possa indicar;

* Não se descuide. Mulheres com ovário policístico correm maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares na menopausa;

* Controle seu peso. A obesidade agrava os sintomas da síndrome do ovário policístico.

Fonte: Drauzio Varella – acessado 16/08/2018