Ministério da saúde lança semana nacional de mobilização pela saúde das mulheres

Ministério da saúde lança semana nacional de mobilização pela saúde das mulheres

O Ministério da Saúde instituiu, através da Portaria nº 1.179, de 27 de abril 2018, a Semana Nacional de Mobilização pela Saúde das Mulheres. Esta iniciativa visa mobilizar os gestores, profissionais de saúde, usuárias do Sistema Único de Saúde-SUS e sociedade civil sobre a importância e necessidade depromover, proteger e dar suporte a medidas de acesso e qualidade à atenção integral à saúde das mulheres. De acordo com o projeto, a cada ano, será enfatizado um tema numa abordagem ampliada à saúde da mulher. O tema escolhido para a primeira campanha será MORTALIDADE MATERNA.

No dia 28 de maio, em Brasília, ocorrerá o Lançamento, pelo Ministério da Saúde, da META DE REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA para os ODS 2015/2030. A FEBRASGO estará representada pelo Presidente da sua Comissão Nacional Especializada de Mortalidade Materna, Dr. Rodolfo de Carvalho Pacagnella.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a mortalidade materna no Brasil caiu 58% entre 1990 e 2015, de 143 para 60 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Para efeitos de comparação, por exemplo, no Japão a proporção é de 6 óbitos de mulheres por 100 mil nascidos vivos.

A FEBRASGO já está envolvida indiretamente, através de alguns de seus associados, pertencentes à diferentes Comissões Nacionais Especializadas, em ações e programas que visam educar e treinar profissionais da saúde no esforço de redução da Mortalidade Materna. Citaríamos como exemplo nossos associados que participam como Instrutores do projeto Zero Mortalidade Materna por Hemorragia pós-Parto, fruto de uma parceria do MS com a OPAS e que está tendo resultados muito positivos em várias partes do território nacional.

Vamos envidar todos os esforços para apoiar o Ministério da Saúde, contribuindo com as ações de implementação das novas estratégias que estão em desenvolvimento, no que refere à redução da mortalidade materna em nosso país.

Fonte: FEBRASGO

Gestação e nutrição

Gestação e nutrição

A maternidade é um laço invisível de amor e nutrição que se inicia muito antes do nascimento.

A gestação é um período de grande demanda metabólica do organismo. Para este momento é primordial garantir a saúde da mãe e do bebê, sendo o acompanhamento médico e nutricional, de fundamental importância.

Precisa comer por dois?

O que se come na gestação não é por dois, mas é duplamente importante. Nutrientes são necessários para suprir as demandas da mãe e do feto que, em aproximadamente 40 semanas, se tornará um bebê de cerca de 3kg.

A quantidade e a qualidade da alimentação são fundamentais, sem restrição ou excesso de calorias, pois ambas podem colocar em risco a vida da mãe e do filho.

O peso da gestante

O peso que a gestante ganha não é só do bebê, mas também líquidos e gorduras provenientes da gestação, peso do útero, volume de sangue e etc. As recomendações para o ganho de peso ideal vão depender do estado nutricional de cada mulher antes da gestação.

É importante que a mulher esteja bem já antes da gestação e, melhor ainda, quando se trata de uma gestação programada, pois o estado nutricional antes e durante a gestação pode refletir no desenvolvimento e saúde não só do feto, mas ao longo da vida desta criança. A falta ou excesso de alimentos e nutrientes adequados, assim como o excesso de estresse e exposição a tóxicos podem refletir negativamente nesta vida.

A necessidades calóricas são individuais

A fonte de nutrientes que o feto tem para garantir seu crescimento vem das reservas nutricionais maternas, além da ingestão alimentar durante este período. A quantidade de calorias de uma gestante só deve ser aumentada após o primeiro trimestre, um equivalente de apenas 300 Kcal, além do que deve consumir uma mulher não gestante. Também deve haver um ajuste na quantidade de proteínas da dieta.

O acompanhamento é individualizado e deve se levar em conta o que a mãe comia antes de engravidar, o seu estado nutricional, as suas necessidades e preferências.

Deve haver um monitoramento dos exames laboratoriais, além de sinais e sintomas que irão mostrar a necessidade individual do uso de suplementos alimentares. Salientando que, mesmo que seja necessária a suplementação, a melhor forma de nutrição ainda são as fontes alimentares, vindas de uma alimentação equilibrada e variada, além de evitar alimentos indevidos.

Durante o primeiro trimestre da gestação, o quadro de enjoos é bastante comum, devido a alterações hormonais. Neste momento é muito indicado que a gestante possa fracionar as suas refeições ao longo do dia, evitando longos períodos de jejum e evitando grandes volumes de alimentos.

As vitaminas do complexo B são fundamentais na gestação, incluindo o ácido fólico que deve ser suplementado já antes da concepção, pois participa da formação do tubo neural.

Vitmiana A, Vitamina D, além de minerais como selênio, cálcio, ferro, iodo, zinco, magnésio e outros têm funções tão específicas que devem ter suas quantidades mantidas dentro da necessidade individual da gestante.

Ômega 3 é um nutriente essencial na gestação inclusive para a função cognitiva do bebê.

Dentro da quantidade adequada, a gestante deve alimentar-se de comidas simples, caseiras, com temperos naturais, alimentos livres de agrotóxicos e também de aditivos químicos (adoçantes, aromatizantes, corantes e conservantes), evitando ao máximo os alimentos industrializados, principalmente embutidos, gordura vegetal hidrogenada, alimentos açucarados e o excesso de refinados.

Alimentos em excesso não são bem-vindos, principalmente na forma de doces e alimentos gordurosos, pois podem dificultar a circulação sanguínea, aumentar a gordura corporal, entre outros problemas. O excesso de sal também deve ser evitado, pois aumenta a pressão arterial, porém não deve ser eliminado, pois frequentemente as gestantes experimentam períodos de queda da pressão, ocasionando tonturas e mal-estar.

A boa nutrição antes e durante a gestação traz benefícios de mão dupla, tanto mãe quanto filho são os contemplados.

Fonte: G1

Goiana realiza o sonho de ser mãe após amiga emprestar útero para gerar o bebê, em Goiânia

Goiana realiza o sonho de ser mãe após amiga emprestar útero para gerar o bebê, em Goiânia

Mãe genética disse que tentou, sem sucesso, fertilização in vitro e adoção por mais de 5 anos.

A vendedora de joias e influenciadora digital Luciana Salatiel, de 43 anos, conseguiu realizar o sonho de ser mãe após a amiga, a administradora de imobiliária Allana Cristina Rodrigues, de 24, se tornar uma barriga solidária e gerar o bebê. Com o nascimento da criança, há uma semana, as duas agora dividem as tarefas e atenção para cuidar do recém-nascido, Pedro Salatiel di Mendonça. “O carinho com o Pedro é uma soma”, disse a mãe genética.

Luciana, ou Lu Salatiel, como é conhecida, descobriu aos 14 anos que tinha uma atrofia no útero. Com isso, ela não poderia engravidar. Quando se casou, seu marido sabia do problema, mas, mesmo assim, decidiram buscar métodos para que pudessem realizar o desejo de ter um filho.

“Começamos tentando a fertilização in vitro. Há sete anos, fizemos um tratamento e minha irmã foi uma barriga solidária, mas o procedimento não deu certo. Depois, entramos em uma fila para o processo de adoção. Tem quase cinco anos isso e, até hoje, não conseguimos”, contou.

No processo de fertilização in vitro, é retirado o óvulo da mãe e os espermatozoides do pai e fecundados em laboratórios. Em seguida, o óvulo é colocado na barriga solidária. Assim, todo o material genético da criança será dos pais.

Em janeiro do ano passado, o casal decidiu tentar novamente uma fertilização in vitro. Porém, devido a um acidente, a irmã de Luciana estava com problemas de saúde, tomando muitos medicamentos e, por isso, não poderia novamente ser a barriga solidária.

Foi nesse momento que a influenciadora digital teve a ideia de recorrer à amiga. Allana, que mora em Caldas Novas, no sul de Goiás, era muito próxima da família e ex-namorada do sobrinho de Luciana, com quem, inclusive, teve um filho.

“Eu liguei para ela e disse que tinha uma proposta, que queria voltar a tentar fertilização in vitro e queria saber se ela emprestava a barriga dela. Eu gastei um minuto para falar”, disse Luciana.

O susto de Allana foi imediato. Diante do convite, pediu alguns minutos para pensar. “Nesse momento, eu me imaginei sem o Miguel [filho dela com o sobrinho de Luciana]. Eu me coloquei no lugar dela, sem a oportunidade de ter meu filho. E pensando nisso eu decidi fazer. Claro que a gente pensa nas dificuldades, se a gente era capaz, mas eu pensei no tanto que eu sou feliz com meu filho e que toda mulher tem o direito de ser mãe, experimentar isso”, contou.

Para que o processo fosse feito, Luciana precisou pedir uma autorização ao Conselho Federal de Medicina, pois Allana não tinha nenhum grau de parentesco com ela nem com seu marido. Após a aprovação, procuraram uma clínica especializada em São Paulo para fazer todo o procedimento.

A relação das duas sempre foi próxima devido ao filho da Allana, Miguel. “A Luciana sempre ia para Caldas Novas, buscava ele nos finais de semana, então sempre foi uma relação muito boa”, afirmou a jovem.

Porém, mesmo em boas relações, às vezes rolava um pouco de ciúmes. “Eu achava as vezes que ela ia roubar o Miguel de mim, porque ela sempre estava com ele”, se lembra Allana, rindo da situação.

Com a chegada do Pedro, no último dia 18 de abril, as duas passaram a compartilhar o carinho pelo bebê. “As pessoas ainda perguntam se eu vou permitir ela ter contato com ele. Mas eu vejo a parte da criança. Quanto mais amor ele receber é a melhor opção”, disse Luciana.

Luciana, que é a mãe genética de Pedro, e Allana, que deu à luz ao menino e se transformou em madrinha, têm acompanhamento psicológico desde o início do tratamento para a gravidez. As duas esperam que esse apoio ajude a trabalhar o assunto com Pedro à medida que ele for crescendo.

“A história dele já está contata desde o início. Como eu sou influenciadora digital e vendedora de joias, tinha 25 mil pessoas na minha rede e as pessoas acompanhavam o meu dia a dia na rede. Então, não tinha como esconder”, disse Luciana.

Luciana afirma que quer usar sua história para incentivar mais mulheres que não podem ter filhos a procurar alternativas como o útero solidário para realizar o sonho de ser mãe.

“A legislação precisa melhorar, dar uma ampliada. A fertilização in vitro precisa ser mais conhecida, divulgada. Quanto mais isso se populariza, mais acessível até mesmo financeiramente para outras pessoas vai ficar”, completou a influenciadora digital.

Resolução

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, para ser um útero solidário, a mulher precisa ter um parentesco de até quarto grau com a mãe genética ou o pai. “Caso não seja possível a mãe, irmã, tia, prima, gerarem, é possível escolher uma pessoa que não tenha parentesco. Mas, para isso, é necessário uma autorização do conselho. Isso é para evitar a barriga de aluguel, que são mulheres alugando seus úteros para gerar os filhos”, afirmou o membro da Câmara Técnica de Reprodução Assistida do órgão, Adelino Amaral.

Ainda de acordo com o Amaral, a resolução foi evoluindo desde 1992, quando apenas parentes de 1º grau podiam ser útero de aluguel. “Não há uma discussão em pauta no momento para mudar a atual resolução, pois atualmente ela já é bem abrangente, democrática. Além disso, a procura por esse meio ainda é pequena, pois na maioria dos casos é possível que ocorra a gestação fazendo tratamento médico”, completou.

Fonte:  G1

10 coisas que você precisa saber sobre fertilidade

10 coisas que você precisa saber sobre fertilidade

Conhecer nosso próprio corpo é fundamental para entender nossos sinais. Por isso, veja aqui 10 assuntos essenciais que irão ajudar você a descobrir mais sobre sua natureza e tirar suas dúvidas sobre o funcionamento do corpo.

Dez coisas que você precisa saber sobre FERTILIDADE NATURAL:

  1. O dia mais fértil não é o mesmo da ovulação Instintivamente, somos levados a pensar que a mulher é mais fértil no dia da ovulação. E é muito comum ouvirmos que as relações sexuais devem começar dois dias antes e terminar dois dias depois da ovulação. Entretanto, as maiores chances de gravidez são atingidas quando as relações acontecem dentro do intervalo iniciado 5 dias antes da ovulação e terminado no dia em que ela ocorre. Esse período de seis dias é considerado o verdadeiro período fértil. É importante saber que a máxima fertilidade é estimada dois dias antes da ovulação.
  2. Não é preciso ter relações rigorosamente ”dia sim, dia não” A informação de que as chances de gravidez são maiores quando as relações sexuais acontecem em dias alternados é muito comum, imaginando-se que ejaculações frequentes diminuiriam a quantidade de espermatozoides no esperma. Entretanto, as chances de gravidez são as mesmas com relações todos os dias ou “dia sim, dia não”. O número de espermatozoides e a capacidade deles de nadar em direção ao óvulo permaneceram inalterados em homens saudáveis.
  3. As posições adotadas para a relação sexual não interferem As posições adotadas para a relação sexual ou como a mulher permanece depois dela em nada se associam à ocorrência da gravidez. Ou seja, não é preciso que a mulher permaneça deitada depois da relação (ou até mesmo eleve o bumbum). Estudos demonstram que os espermatozoides, uma vez depositados na vagina, podem já chegar ao útero em menos de 2 minutos e que em 15 minutos já podem estar nas trompas em busca do óvulo.
  4. O uso de lubrificantes íntimos pode diminuir as chances de gravidez O impacto verdadeiro do uso de lubrificantes íntimos sobre a fertilidade não está comprovado cientificamente. Efeitos negativos sobre os espermatozoides foram observados em laboratório, mas não foram comprovados na prática. Assim, não se pode afirmar que lubrificantes íntimos diminuam as chances de gravidez. Em casos de real necessidade, os óleos mineral (aquele utilizado em bebês), de canola e de mostarda devem ser preferidos, pois parecem não prejudicar a função dos espermatozoides.
  5. Não é possível definir o sexo do bebê pelo dia da relação sexual A crença popular afirma que a relação sexual mais próxima à ovulação favoreceria a concepção de meninos e a mais distante da ovulação, de meninas. Mas não há nada na ciência que confirme a relação entre o dia da relação sexual, a ovulação e o sexo da criança gerada. Na verdade, o que existe é uma quantidade pequena de estudos, a maior parte deles realizada há mais de 15 anos, em pequenos grupos, com resultados controversos, que não servem para embasar o aconselhamento.
  6. Os hábitos alimentares podem interferir nas chances de gravidez Os dados científicos de qualidade relacionando dieta e fertilidade são poucos; é consenso, contudo, que a obesidade seja prejudicial à fertilidade de homens e mulheres. Para as mulheres, é possível que o consumo excessivo de cafeína (mais de 5 xícaras de café por dia) diminua a fertilidade e o benefício de dietas vegetarianas ou com baixo teor de gordura, suplementação de vitaminas, antioxidantes e fitoterápicos não ode ser comprovado. 1 Para os homens, dietas ricas em carne vermelha, carne processada, derivados da soja, batatas, laticínios integrais, cafeína, chás, refrigerantes e doces podem diminuir a qualidade do sêmen; ao contrário, o consumo regular de peixes e frutos do mar, aves, cereais, legumes e frutas, e laticínios com baixo teor de gordura pode melhorar os parâmetros seminais.
  7. Consumo excessivo de álcool e tabagismo diminuem as chances de gravidez O tabagismo tem impacto negativo sobre vários aspectos da saúde de homens e mulheres, o que inclui a fertilidade. No caso das mulheres fumantes, estudos demonstram chances diminuídas de gravidez, aumento das perdas gestacionais espontâneas e antecipação da menopausa quando comparadas a não fumantes. Quanto aos homens, observa-se prejuízo da qualidade do sêmen, pela diminuição da contagem de espermatozoides, aumento dos espermatozoides malformados e agressão ao seu DNA.
  8. Não se devem fazer testes para medir a fertilidade em quem não tentou engravidar Embora seja uma prática relativamente comum e defendida por alguns especialistas, não há base científica para a realização de exames para predizer a fertilidade futura de mulheres jovens sem intenção de engravidar 16 ou daquelas que estejam tentando engravidar há menos de um ano. Da mesma forma, a avaliação da fertilidade do homem por exames laboratoriais não deve ser realizada sem que haja diagnóstico clínico de infertilidade.
  9. A idade do homem interfere pouco Em comparação ao que se sabe para a idade feminina, é pouco conhecida a relação entre a idade masculina e o potencial reprodutivo para a concepção natural. Embora o potencial reprodutivo pareça se manter durante a maior parte da vida do homem, é razoável pensar que exista alguma diminuição da fertilidade natural ao longo do tempo, principalmente depois dos 50 anos.
  10. A idade da mulher interfere muito As chances de concepção diminuem significativamente com o aumento da idade da mulher. Isso é devido à diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos. A partir dos 35 anos, essa diminuição acelera-se e as mulheres devem estar alertas para isso. 1 Objetivamente, sabe-se que casais com desejo de ter apenas um filho não deveriam adiar a gravidez além dos 32 anos de idade da mulher. Mas quando o objetivo do casal é conceber naturalmente dois ou três filhos, a mulher deve iniciar as tentativas aos 27 e aos 23 anos, respectivamente, sob risco de não atingir a prole planejada.

Fonte: FebrasGo

 

O que é a toxoplasmose, doença que traz riscos à gravidez e você pode ter tido sem saber

Febre, dor de cabeça e no corpo, cansaço, gânglios inchados. Desde o fim de janeiro, unidades de saúde do município de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, começaram a receber cada vez mais pacientes com esses sintomas. A causa, até então desconhecida, foi confirmada nessa quinta-feira pelas secretarias de saúde municipal e estadual: surto de toxoplasmose. Por enquanto, há 59 casos suspeitos e 14 confirmados.

“O número total de casos poderá ser maior (que os 59 suspeitos). A gente não sabe em que ponto da curva a doença está”, ou seja, se ascendente, estável ou descendente, afirma Marilina Bercini, diretora do Centro Estadual da Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul.

A toxoplasmose é provocada por um parasita, o toxoplasma, e é transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados ou pela placenta da mãe para o bebê.

É uma doença extremamente comum. No Sul do país, estima-se que seis em cada dez pessoas já tenham contraído toxoplasmose em algum momento da vida, segundo a médica infectologista gaúcha Lessandra Michelim, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

“É muito complicado o controle do toxoplasma, porque ele está espalhado pelo ambiente. Não é por falta de cuidado e higiene. Nem é algo exclusivo nosso. A França, por exemplo, tem incidência maior que a do Brasil”, afirma Michelim.

Você, inclusive, já pode ter sido contaminado pelo toxoplasma e não fazer nem ideia disso. Afinal, a grande parte dos casos não apresenta sintomas e não gera complicações.

Porém, não é uma doença banal. Oferece grande risco no caso de gestantes que contraiam a toxoplasmose durante a gravidez (ter contraído antes não gera problema nenhum), porque pode comprometer o desenvolvimento do feto. Além disso, também é perigosa para pessoas que estejam com a resistência baixa – imunodeprimidas, no linguajar médico.

A maior parte dos casos de toxoplasmose são isolados. Já os surtos, que acometem um número maior de pessoas em um determinado local e período, são menos comuns. Nesses casos, a causa envolve algum tipo de contaminação ambiental pelo parasita – por exemplo, uma fonte de água, um criadouro de animais, uma área agrícola ou mercado de alimentos.

No caso de Santa Maria, ainda não se sabe qual é a origem da contaminação. Identificá-la é justamente a prioridade das autoridades de saúde neste momento. Afinal, como os casos não pararam de aparecer, é possível que a população continue exposta.

Como a toxoplasmose é transmitida?

O toxoplasma é um parasita liberado no ambiente pelas fezes de felinos contaminados – principalmente gatos, os felinos mais comuns.

Nessa fase, o toxoplasma está em um estágio de vida chamado de oocisto, presente nas fezes dos gatos por até duas semanas após a infecção. Depois de despejados no ambiente, os ooscistos levam alguns dias para se tornarem infecciosos. E são extremamente resistentes, podendo se manter infectantes por até um ano e meio.

A partir daí, água, solo, plantas e outros animais de consumo humano podem se contaminar. E, na sequência, contaminar pessoas.

Além disso, animais como ratos e pássaros podem adquirir o parasita ao beber água, comer plantas ou entrar em contato com solo contendo esses oocistos – mais gatos podem ser infectados da mesma forma, bem como ao se alimentarem desses bichos, levando a novas liberações do toxoplasma no ambiente.

Os felinos são os únicos hospedeiros definitivos, ou seja, apenas no intestino deles é que o parasita consegue realizar seu processo de reprodução. Outros animais, como os seres humanos, são hospedeiros intermediários – podem ser infectados, mas não liberam oocistos em suas fezes.

Mas quando contaminados, eles passam a abrigar cistos do parasita, que podem ficar presentes em seu corpo até o fim da vida. Caso uma pessoa se alimente da carne mal passada de um boi que teve toxoplasmose, por exemplo, ela pode ingerir esses cistos e, assim, se infectar.

Não há vacina para a doença.

É preciso evitar o contato com gatos?

“É importante salientar que o toxoplasma é adquirido pela alimentação. Os gatos não são um vetor (não transmitem a doença). Eles podem fazer parte do ciclo do parasita e eliminá-lo nas suas fezes. Mas o gato em si, o contato com ele e com o seu pelo não transmitem a doença”, explica a infectologista Michelim.

“Quando tem surto, muita gente acaba matando gato ou até se desfazendo do animal. É desinformação.”

A Prefeitura de Santa Maria acrescenta que os gatos “apresentam pouca importância epidemiológica em surtos”. Isso porque a origem deles é alguma contaminação ambiental. Ou seja, o importante para evitar a propagação da doença é encontrar e descontaminar essa fonte, não evitar contato com gatos.

Porém, para evitar os casos isolados (quando uma pessoa se contamina sem relação com um surto), que são a maioria, é preciso manter total higiene ao lidar com as fezes dos gatos, principalmente no caso de grávidas.

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, diz que grávidas não devem abrir mão de seus gatos, mas recomenda que evitem limpar a caixa de areia deles. Se isso não for possível, a dica é usar luvas descartáveis e lavar bem as mãos depois. A limpeza deve ser diária.

A maioria dos felinos se torna imune à doença após uma primeira contaminação, mas é muito difícil saber quando ela ocorre – a exemplo dos humanos, eles raramente apresentam sintomas.

O que mais deve ser feito para se prevenir?

“Essa é a pergunta mais difícil. A toxoplasmose é endêmica. Por mais que tenhamos todos os cuidados necessários, a gente nunca sabe qual é a real procedência de vários alimentos e da água que consumimos. O que podemos fazer é tentar consumir alimentos com procedência, que tenham uma fiscalização”, fala Michelim.

Como o risco maior é para gestantes, a recomendação é que elas sim façam um controle rigoroso da alimentação. “A toxoplasmose no começo da gravidez pode causar aborto. No meio, pode gerar sequelas permanentes no bebê, como retardo mental, alteração ocular e no desenvolvimento psicomotor”, explica a infectologista.

Segundo ela, gestantes que já tiveram toxoplasmose antes da gravidez não estão totalmente livres do risco de pegar a doença de novo, porque há cepas diferentes. Por isso, todas devem se cuidar.

Já no caso de pessoas com imunidade baixa, a toxoplasmose pode afetar o sistema nervoso, coração, pulmão, fígado e provocar problemas nos olhos. O tratamento costuma ser feito com antiparasitários ou, dependendo do caso, antibióticos. As gestantes com a doença devem fazer um acompanhamento específico.

O que se sabe sobre o surto de toxoplasmose em Santa Maria?

A investigação dos casos em Santa Maria começou em 12 de abril. As suspeitas iniciais eram dengue, chikungunya e toxoplasmose.

Na quinta-feira, o surto de toxoplasmose foi comunicado oficialmente.

O primeiro paciente identificado começou a apresentar sintomas em 20 de fevereiro. Porém, estão sendo considerados casos suspeitos todos aqueles que tiveram os sintomas a partir de 20 de janeiro.

Para ajudar na identificação, as autoridades estão fazendo uma varredura nos prontuários médicos de todos os pacientes atendidos na rede de saúde desde o início do ano.

As gestantes identificadas com toxoplasmose estão sendo encaminhadas para o pré-natal de alto risco do Hospital Universitário de Santa Maria.

“A fonte (de contaminação) está sendo procurada, mas não é fácil fazer essa investigação. O surto tem origem em uma contaminação ambiental, um protozoário que vive no ambiente. Não é transmitido por mosquito”, afirma Marilina Bercini, do centro de vigilância estadual.

Quais são as principais recomendações?

A Prefeitura de Santa Maria emitiu as seguintes recomendações para a população da cidade, que tem 260 mil habitantes:

– Evitar consumo de água e alimentos de origem desconhecida;

– Comer somente carnes bem cozidas ou bem passadas (não se alimentar de carnes cruas, mal passada ou embutidos frescos);

– Beber somente água tratada, filtrada ou fervida;

– Beber somente leite pasteurizado ou fervido;

– Lavar bem as mãos após manuseio de carnes cruas;

– Lavar bem frutas, verduras e legumes crus antes do consumo;

– Lavar bem as mãos antes das refeições;

– Fezes de gatos devem ser recolhidas com luvas ou sacolas plásticas, e devem ser descartadas em sacos plásticos utilizados para o lixo doméstico e disponibilizadas para o sistema público de coleta. Gatos jovens e doentes podem ficar com fezes contaminadas por cerca de 15 dias. Gatos adultos geralmente são imunes e raramente transmitem a doença.

Fonte: BBC

Sinais da Síndrome do Ovário Policístico que talvez você nunca tenha notado

Provocada por um desequilíbrio hormonal, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma desordem endócrina que interfere no processo de ovulação e leva à formação de cistos que não desaparecem após o ciclo menstrual e acabam alterando a estrutura do ovário, fazendo com que ele fique até três vezes mais largo do que o normal.

O quanto antes a condição for diagnosticada, menores os impactos para a saúde da paciente. Portanto, além de se consultar regularmente com um ginecologista, a mulher deve ficar atenta a possíveis sinais de Síndrome do Ovário Policístico que nem sempre são notados ou são facilmente confundidos.

Sintomas de Síndrome do Ovário Policístico

Pelos em excesso: o aumento de pelos nas regiões das axilas, genitália e rosto ocorre pela ação aumentada dos hormônios sexuais masculinos, comum à SOP.

Queda de cabelos: o enfraquecimento e queda dos fios também acontecem por causa das grandes alterações hormonais provocadas pela Síndrome dos Ovários Policísticos.

Acne: a ação dos hormônios andrógenos sobre as glândulas sebáceas aumenta a oleosidade da pele e, consequentemente, leva ao aparecimento de espinhas.

Manchas na pele: marcas mais escuras na cútis, especialmente nas axilas e atrás do pescoço, também podem ser sintomas da SOP.

Ganho de peso: a SOP predispõe a mulher ao aumento de peso sem motivos aparentes por causa das alterações de hormônios sexuais e da elevação da insulina.

Síndrome dos Ovários Policísticos: causas e tratamentos

Estima-se que a SOP afeta 20% das mulheres durante a fase reprodutiva. As causas ainda não são completamente conhecidas, mas já se sabe que o problema tem origem genética, pois irmãs ou filhas de uma mulher portadora da desordem têm 50% de chance de desenvolver o quadro.

A Síndrome dos Ovários Policísticos pode ser controlada através de tratamento medicamentoso, com uso de anticoncepcionais hormonais que podem proteger os ovários da formação dos microcistos e diminuir os níveis de insulina e hormônios masculinos.

Fonte: Vix