Publicado na revista PNAS

  • Até hoje as pesquisas sobre a pré-eclâmpsia estavam focadas apenas no estudo da placenta.
  • Estudo demonstra que um erro no processo decidualização do endométrio pode originar esta complicação durante a gravidez, o que abre uma porta para a identificação precoce do risco de desenvolver a doença.

A pré-eclampsia é uma complicação grave que afeta cerca de 8% das gestantes e ocorre a partir do terceiro trimestre de gravidez. Caso não seja diagnosticada a tempo, a pré-eclâmpsia representa um alto risco tanto para mãe quanto para o bebê.

Até o momento, grande parte dos esforços para estudar a origem deste problema gestacional estavam focados apenas na placenta, sem incluir o papel do tecido uterino onde o embrião se implanta e a placenta se desenvolve.

A autora principal do estudo, Dra. Tamara Garrido-Gómez, revela uma relação entre o surgimento da pré-eclâmpsia com um erro no processo de decidualização no endométrio das mulheres. A decidualização é um processo que ocorre no tecido endometrial, que consiste na preparação do útero para a implantação do embrião e o sucesso da gravidez. A alteração foi identificada tanto no endométrio das mulheres que tiveram pré-eclâmpsia em gestações anteriores, quanto em pacientes que manifestaram a pré-eclâmpsia no momento do parto.

Os resultados do estudo questionam o conceito até então aceito de que a pré-eclâmpsia é um transtorno unicamente provocado por uma alteração na placenta, e proporciona uma explicação sobre a razão das mulheres com casos anteriores de pré-eclâmpsia terem uma propensão maior à repetição desta patologia.

Visando ampliar esta pesquisa que pode beneficiar muitas pessoas, foi criado um departamento liderado pela Dra. Tamara que estará dedicado ao desenvolvimento do diagnóstico clínico para a avaliação prospectiva do risco de pré-eclâmpsia e o possível tratamento desta condição antes da gravidez.

Garrido-Gómez et al. “Defective Decidualization During and After Severe Preeclampsia Reveals a Possible Maternal Contribution to the Etiology”. PNAS, doi:10.1073/pnas.1706546114