Preservar a fertilidade envolve ter a informação certa na hora correta. Em 10 tópicos simples, aqui você tem tudo o que precisa saber sobre a estratégia indicada para mulheres que desejam adiar a gestação ou para aquelas que vão iniciar um tratamento complexo, no qual há exposição à radiação e também a medicamentos que podem interferir na capacidade concepcional futura.

  1. O tratamento de algumas doenças pode causar infertilidade: O tratamento com quimioterapia para doenças como o câncer e aquelas de origem autoimune evoluiu muito nos últimos anos, mas muitos efeitos colaterais ainda são observados. Quando a droga mata a célula doente ela acaba afetando também células saudáveis, dentre elas as células do ovário podem ser comprometidas, de maneira que há risco de que seja perdida a capacidade deste ovário produzir óvulos maduros saudáveis para conceber. Este efeito prejudicial depende da dose e do tipo de medicamento utilizado.
  2. Algumas medidas podem diminuir o risco de infertilidade nestas situações: Na tentativa de preservar a fertilidade em situações de risco de dano ovariano é possível congelar óvulos, embriões ou, excepcionalmente, tecido ovariano. No entanto, para se colher óvulos, seja para congela-los ou seja para produzir embriões, é necessário se submeter a uma estimulação ovariana com hormônios e a uma anestesia para aspiração dos óvulos, semelhante ao que é feito nos tratamentos de Fertilização in vitro. Para isso você deve procurar um especialista em Medicina Reprodutiva, que poderá explicar detalhes e ajuda-la a decidir qual a melhor opção de tratamento para você.
  3. Em que momento a preservação de fertilidade deve ser feita: O ideal é que a indução de ovulação para obtenção de óvulos seja feita antes de qualquer tratamento quimioterápico, tanto para garantir que a reserva ovariana ainda não foi prejudicada pelo tratamento, quanto para evitar o efeito tóxico da droga sobre os óvulos, uma vez que não se pode afirmar qual o impacto destas medicações sobre o futuro bebê nascido a partir dos óvulos preservados. Também por conta do tempo necessário para a realização do procedimento é ideal que ele seja iniciado com um prazo de cerca de 20 a 30 dias antes do início do tratamento.
  4. Aonde realizar os procedimentos de preservação de fertilidade A indução de ovulação poderá ser realizada em clínicas especializadas em Reprodução Assistida ou pelo médico ginecologista que segue a paciente, caso ele seja habilitado. Entretanto, a captação de óvulos e congelamento dos mesmos deve ser feito sempre em clínicas que possuam laboratório para realização de procedimentos de Fertilização in vitro, aonde os óvulos ou embriões ficarão guardados, uma vez que são muito sensíveis e transporta-los pode comprometer qualidade do material preservado.
  5. Quem pode ser submetido a procedimentos para preservação de fertilidade: Mulheres em idade reprodutiva, que estejam sob risco de dano ovariano ou gonadal e que tenham função destes órgãos ainda preservada. Em caso de menores de idade, é necessário o consentimento dos pais ou responsáveis. Também é necessário levar em consideração as condições gerais de saúde do indivíduo, pois serão necessárias uma anestesia e uma punção com agulhas para aspiração dos óvulos.
  6. Repercussões sobre o tratamento da doença principal A realização de procedimentos para preservar a fertilidade somente deverá ser indicada caso isso não atrapalhe o tratamento da doença principal. O uso de hormônios para a estimulação ovariana, devido ao curto tempo de uso, normalmente não interfere no sucesso do tratamento, mesmo de cânceres relacionados ao uso de hormônios, como o de mama e de endométrio. Além disso, deve ser sempre avaliado se o adiamento do tratamento da doença pode ser feito sem comprometê-lo.
  7. O tempo necessário para realizar procedimentos de preservação de fertilidade: A estimulação ovariana é o primeiro passo e sua duração pode variar entre pacientes, levando de 9 a 15 dias. Uma vez que os óvulos estejam maduros os mesmos serão aspirados em um procedimento sob anestesia geral, sendo a recuperação imediata. A partir desta coleta os óvulos são imediatamente congelados ou fertilizados para formar embriões, neste caso o congelamento dos embriões será feito de 3 a 5 dias após. O tratamento da doença principal pode ser iniciado no dia seguinte da coleta dos óvulos.
  8. Tempo em que os óvulos e embriões podem ficar congelados O tempo de conservação dos óvulos e embriões congelados não está muito bem estabelecido. Acredita-se que uma vez realizado o congelamento não se perde a qualidade e vitalidade dos óvulos e embriões. Há relatos na literatura médica de uso de embriões com mais de 10 anos de congelamento e sucesso de gravidez.. Os protocolos das sociedades de medicina reprodutiva disponíveis nos dias atuais não colocam prazo máximo para a conservação de óvulos e embriões, considerando que o congelamento os mantém em bom estado independente do tempo.
  9. Gravidez após o tratamento do câncer O tempo que se deve aguardar após o tratamento da doença principal para se utilizar os óvulos e embriões congelados para engravidar varia em cada caso. No caso dos cânceres depende do tipo de câncer. Sendo assim, esta decisão deve ser sempre tomada em conjunto com a equipe de médicos responsável pelo seguimento da doença principal, a paciente e a equipe que fará o procedimento de Reprodução Assistida. Na maioria das vezes se aguarda ao menos 2 anos após o término do tratamento.
  10. Risco de recorrência da doença nos casos de gravidez Para doenças de base que não tem nenhuma relação com os níveis hormonais a gravidez não irá interferir na evolução e recorrência. Entretanto, para doenças como o câncer de mama, os resultados são ainda controversos. Estudos mais recentes sugerem que a recorrência e evolução do câncer de mama em mulheres tratadas que engravidaram é a mesma de mulheres que não engravidaram, sendo assim não haveria contraindicação para gestação futura. Vale ressaltar que o mastologista responsável deverá ajudar na decisão do melhor momento para esta gravidez.

Fonte:  FegrasGO