Gestação e maternidade

Uma em cada quatro mulheres pode apresentar problemas de saúde mental durante a gravidez

Quando se fala de distúrbios emocionais e gravidez, é muito comum a associação à d epressão pós-parto . Porém, um novo estudo do King’s College London (Inglaterraa) mostra que os problemas de saúde…

Publicado em 09 de fevereiro de 2018Atualizado em 09 de fevereiro de 20182 min de leitura
Uma em cada quatro mulheres pode apresentar problemas de saúde mental durante a gravidez

Quando se fala de distúrbios emocionais e gravidez, é muito comum a associação à depressão pós-parto. Porém, um novo estudo do King’s College London (Inglaterraa) mostra que os problemas de saúde mental podem aparecer ainda durante a gestação.

Segundo a pesquisa, publicada no British Journal of Psychiatry, em janeiro, uma em cada quatro grávidas pode apresentar esse tipo de problema. Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores acompanharam 545 gestantes, maiores de 16 anos, que estavam fazendo pré-natal no sul de Londres, entre novembro de 2014 e junho de 2016.

Às futuras mães foi aplicado um questionário com duas perguntas simples, pelo qual os pesquisadores descobriram que ansiedade (15%), depressão (11%), distúrbios alimentares (2%) e o transtorno obsessivo compulsivo (2%) foram os problemas mentais mais comuns entre as grávidas. Em alguns casos, elas apresentaram a combinação de mais de um distúrbio ao mesmo tempo.

“As pessoas pensam que a gravidez protege a saúde mental e, em seguida, o período pós-parto é um gatilho para os problemas. Mas, na realidade, os problemas começam durante a gravidez, ou mesmo antes, é muito comum”, explica a pesquisadora Louise Howard, professora do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência da King’s.

Quando buscar ajuda
Para o psiquiatra Luiz Scocca, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da Associação Americana de Psiquiatria (APA), a gravidez facilita o aparecimento de problemas de saúde mental, sobretudo nas mulheres que já apresentaram problemas anteriormente. Isso acontece especialmente por conta da oscilação hormonal típica dessa fase, que altera o humor da mulher, como todo mundo já sabe.

Diante disso, ressalta o especialista, é preciso um olhar atento da própria grávida e das pessoas que convivem com ela para identificar qualquer mudança brusca no comportamento e buscar ajuda o quanto antes. Alterações alimentares, instabilidade emocional, agitação, falta de comunicação e insônia são alguns sinais de que pode haver algo errado.

“As pessoas devem saber que isso pode acontecer e é necessário não negar tais emoções. Os parentes e amigos próximos devem levar a sério as queixas da futura mãe e dar acolhimento, evitando dizer, por exemplo, que é o normal da gravidez. Além disso, a gestante precisa procurar o seu obstetra e descrever o que está sentindo e, caso haja a indicação de uma consulta psiquiátrica, não ter receio de procurar ajuda, pois o psiquiatra é um médico como outro qualquer”, diz Scocca.

E se você já faz algum tipo de tratamento contra depressão e descobriu que está grávida, atenção. Em primeiro lugar, converse com o seu médico para, juntos, decidirem o melhor tipo de tratamento nesse caso, já que algumas medicações são proibidas na gestação. Mas nada de abandonar o tratamento por conta própria, pois isso pode facilitar ou piorar a manifestação de algum transtorno durante a gravidez.

Fonte: Revista Crescer

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