Realizar o sonho da maternidade mexe muito com as emoções e com as expectativas, e isso é sentido tanto pela mulher que deseja engravidar quanto pelo homem que quer ser pai. Assim, a depender da amplitude e da intensidade dos sentimentos e afetos em torno dessa possibilidade, alguns transtornos psicológicos podem ser desencadeados, sobretudo quando há muita pressão, estresse, cobranças e baixa tolerância à frustração.

Dentre esses transtornos, os mais comuns estão relacionados à ansiedade e à depressão, mas podem ocorrer também sentimentos ligados à impotência e baixa autoestima. Dessa forma, a participação do psicólogo ao longo do processo de tentativa de ter um bebê se torna cada vez mais importante. Cabe a este profissional viabilizar um espaço de escuta em torno das dificuldades emocionais, das elevadas expectativas, além de realizar aconselhamentos individuais ou conjugais, quando é o caso.

Para Helena Bonesi, psicóloga em reprodução humana assistida (RHA) pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), “o processo exige o cumprimento de algumas etapas, como por exemplo, a investigação clínica da infertilidade em busca de um diagnóstico e a decisão de iniciar um tratamento, que, por diversas vezes, são de difícil entendimento e aceitação por parte do casal e a função do psicólogo é proporcionar apoio emocional em um espaço entre tratamento e pacientes. “É por isso que o acompanhamento do psicólogo é tão importante. Ele ajuda a lidar com a dimensão emocional durante cada fase do tratamento”, ressalta.

Há várias abordagens de psicoterapia indicadas para os casais que buscam as técnicas de reprodução, como por exemplo, a análise de comportamento, a terapia cognitivo-comportamental e a psicanálise, além das terapias complementares que ajudam a reduzir os níveis estresse e ansiedade, dentre elas yoga, meditação e acupuntura.

O ideal é que os pacientes em tratamento procurem sempre o apoio psicológico. “O diagnóstico de infertilidade e os tratamentos de RA por si só geram uma certa carga de ansiedade e estresse, porém, há momentos em que o nível de sofrimento é tão alto, que pode impactar negativamente em outras áreas da vida tornando um fardo mais pesado e levando os pacientes à ruptura precoce do tratamento. O apoio psicológico adequado permite aos pacientes um espaço de escuta sobre suas angústias, medos, desejos, frustrações e dúvidas, o que contribui para melhoria da qualidade de vida dentro dos limiares de cada um, possibilitando a construção de novos caminhos e projetos, afirma Helena Bonesi.

Mesmo os pacientes que apresentam boa capacidade de resiliência, de lidar com as próprias dificuldades e adversidades, podem necessitar de acompanhamento psicológico. Esse acompanhamento, desde o início, possibilita a identificação dos recursos emocionais, psicológicos e sociais que o paciente possui para encarar de forma mais positiva o procedimento de reprodução assistida, sobretudo quando as tentativas não forem bem sucedidas.

“É preciso trabalhar as crenças e os medos disfuncionais, que muitas vezes geram maior estresse e ansiedade, bem como aquelas expectativas e desejos baseados apenas no sucesso do tratamento, que, diante de um resultado negativo, podem gerar crises existenciais”, alerta a psicóloga.

COMO ACONTECE – O psicólogo pode participar como integrante da equipe médica ou a convite do paciente. É desejável que o acompanhamento perdure durante todo o tratamento e mesmo após o seu término, havendo, ou não, a gravidez, desde que haja demandas e questões a serem trabalhadas.

Além da atuação junto ao casal, o psicólogo inserido no contexto da reprodução assistida pode também oferecer suporte à equipe médica, instruindo os profissionais sobre os aspectos psicossociais envolvidos, promover o desenvolvimento de habilidades como o acolhimento dos pacientes e ampliar a humanização do atendimento.

Por Suzana Tenório
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

Fonte: Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida