Sentir dor durante a relação sexual — especialmente aquela sensação de dor profunda que parece vir do útero — não é considerado normal e merece investigação médica.
Esse tipo de dor recebe o nome de dispareunia, termo utilizado para descrever a dor que pode surgir antes, durante ou após a relação sexual. Embora muitas mulheres passem por essa situação em algum momento da vida, a presença de dor nunca deve ser ignorada, pois geralmente indica que algo no organismo não está funcionando como deveria.
Segundo dados de sociedades médicas e estudos clínicos na área de ginecologia, uma proporção significativa de mulheres podem experimentar dor na relação sexual ao longo da vida. Ainda assim, isso não significa que seja normal. Pelo contrário: a dor pode estar relacionada a alterações hormonais, infecções, condições ginecológicas ou até fatores emocionais.
Além de causar desconforto físico, a dor durante a relação pode impactar diretamente o bem-estar, a autoestima e a qualidade de vida da mulher, reforçando a importância de investigar suas causas.
A seguir, conheça algumas das principais condições que podem explicar por que algumas mulheres sentem dor no útero durante a relação.
Principais causas de dor no útero durante a relação
Endometriose
A endometriose é uma das causas mais frequentes de dor profunda durante a relação sexual. A doença ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — cresce fora do local habitual, podendo atingir estruturas da pelve como ovários, intestino, bexiga e a região atrás do útero.
Durante o ciclo menstrual, esse tecido também responde aos hormônios femininos, provocando inflamação e dor. Quando as lesões estão localizadas próximas à vagina ou atrás do útero, a penetração profunda pode desencadear dor intensa durante a relação.
De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a endometriose afeta entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais causas de dor pélvica crônica.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- dor profunda durante a relação sexual
- cólicas menstruais intensas
- dor pélvica persistente
- dificuldade para engravidar
Vaginismo
O vaginismo é uma disfunção caracterizada pela contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico ao redor da vagina, o que pode dificultar ou impedir a penetração. Essa contração acontece de forma automática e pode causar dor intensa durante a tentativa de relação sexual ou até mesmo durante exames ginecológicos.
Estima-se que o vaginismo afete entre 1% e 6% das mulheres sexualmente ativas. Em muitos casos, o problema é subdiagnosticado, pois ainda existe certo tabu em falar sobre dor na relação sexual.
As causas podem ser físicas ou emocionais e incluem fatores como:
- medo da dor ou da gravidez
- experiências traumáticas ou abusos
- ansiedade relacionada à relação sexual
- tensão excessiva da musculatura pélvica
O tratamento costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento de ginecologista, fisioterapia pélvica e, em alguns casos, suporte psicológico ou terapia sexual.
Candidíase
A candidíase vaginal é uma infecção causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida, que normalmente já está presente na flora vaginal em pequenas quantidades.
Quando ocorre um desequilíbrio da microbiota vaginal — seja por uso de antibióticos, alterações hormonais ou queda da imunidade — o fungo pode se proliferar e provocar sintomas como coceira intensa, corrimento branco espesso e dor durante a penetração.
A inflamação da mucosa vaginal deixa a região mais sensível, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou dolorosa. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível, a candidíase pode ser transmitida durante o contato íntimo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, infecções vaginais estão entre as condições ginecológicas mais comuns em mulheres em idade reprodutiva.
Falta de lubrificação vaginal
A lubrificação vaginal é fundamental para que a relação sexual aconteça de forma confortável. Quando o organismo não produz lubrificação suficiente, o atrito durante a penetração pode causar dor, ardência e pequenas fissuras na mucosa vaginal.
A falta de lubrificação pode ocorrer em diferentes momentos da vida da mulher e pode estar relacionada a fatores como alterações hormonais, estresse, baixa excitação sexual, uso de medicamentos ou mesmo ao período da menopausa.
Quando isso acontece, a dor tende a reduzir a excitação e o prazer, diminuindo ainda mais a lubrificação natural e criando um ciclo de desconforto durante a relação.
Infecção urinária ou cistite
A cistite, inflamação ou infecção da bexiga geralmente causada por bactérias, também pode provocar dor durante ou após a relação sexual. Como a bexiga está localizada muito próxima da vagina, o atrito durante o ato sexual pode intensificar o desconforto quando há inflamação na região.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- ardência ao urinar
- vontade frequente de urinar
- sensação de peso ou dor na região pélvica
- desconforto durante a relação sexual
Segundo o Ministério da Saúde, as infecções urinárias estão entre os problemas de saúde mais frequentes em mulheres, podendo ocorrer em diferentes fases da vida.
Quando procurar um especialista?
Embora episódios isolados de desconforto possam acontecer, sentir dor recorrente durante a relação sexual não deve ser considerado normal.
É importante procurar avaliação ginecológica quando a dor ocorre com frequência ou quando surgem sintomas associados, como dor pélvica persistente, sangramento após a relação, corrimento ou ardência. O especialista poderá investigar a causa por meio de exame clínico e exames complementares, como ultrassonografia pélvica ou exames laboratoriais.
Identificar o motivo da dor é fundamental para iniciar o tratamento adequado e recuperar o conforto e a qualidade de vida.
Conclusão
Sentir dor no útero durante a relação sexual pode estar relacionado a diferentes condições ginecológicas ou hormonais, e não deve ser ignorado. Problemas como endometriose, infecções, alterações na lubrificação ou disfunções da musculatura pélvica podem estar por trás desse sintoma.
Buscar orientação médica é o primeiro passo para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado. Com o diagnóstico correto e acompanhamento especializado, é possível tratar o problema e recuperar o bem-estar e a saúde íntima.
A dor durante a relação sexual não deve ser considerada normal. Identificar a causa é essencial para preservar a saúde íntima, o bem-estar e a qualidade de vida.
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