As 6 principais dúvidas sobre doação de óvulos
Muitas mulheres compartilham de um mesmo sonho: o de se tornar mãe. E o que parece muito fácil para algumas e até acontece inesperadamente para outras, pode ser motivo de angústia para as mulheres…


Escrito e revisado por
Prof. Dr. Álvaro Pigatto Ceschin
Ginecologia | Reprodução Humana · CRM-PR 10060
Muitas mulheres compartilham de um mesmo sonho: o de se tornar mãe. E o que parece muito fácil para algumas e até acontece inesperadamente para outras, pode ser motivo de angústia para as mulheres que descobrem que não podem engravidar.
A história quase sempre conta com alguns pontos em comum, mas um deles é unanimidade entre elas: a descoberta pega de surpresa. Tudo geralmente começa quando a mulher decide que chegou a hora de engravidar. Então ela para de usar métodos contraceptivos e aguarda com alta expectativa pela boa notícia. Passam-se cerca de seis meses sem nem um sustinho, até que o médico ginecologista seja procurado.
O primeiro passo, geralmente adotado pelos ginecologistas, é a investigação do casal para diagnosticar as causas da infertilidade. As causas podem ser de origem feminina, masculina ou ambas e somente após este diagnóstico é possível definir a conduta mais adequada.
Alguns tratamentos mais simples podem ser realizados pelos ginecologistas, outros mais complexos, exigem o encaminhamento da paciente para um especialista em reprodução assistida.
A baixa reserva ovariana, caracterizada pela disponibilidade de poucos óvulos, é uma das causas que podem fazer com que a doação de óvulos passe a ser cogitada pelo casal.
A essas alturas do campeonato, tudo é novo. A possibilidade de não poder engravidar naturalmente geralmente não é esperada e, quando acontece, assusta e gera dúvidas.
Por conta disso, trouxemos neste artigo as seis principais dúvidas (solucionadas!) sobrea necessidade de receber óvulos. Vamos conferir?
- 6 principais dúvidas sobre doação de óvulos
- No que consiste, exatamente, a doação de óvulos?
Cabe reforçar que a doadora utilizará parte dos óvulos para si e parte será doada para outra mulher.
No Brasil é permitida apenas a doação compartilhada, que ocorre em sigilo, tanto da doadora quanto da receptora, e protege integralmente a identidade de quem a faz. A legislação nacional estipula ainda que a mulher que carrega e gera a criança seja considerada a mãe biológica do bebê, e não a doadora do óvulo.
- Quem pode doar?
A mulher faz a doação para uma receptora que possua, no geral, características físicas (e às vezes até comportamentais) similares às suas: cor do cabelo, da pele, olhos, biótipo, altura e tipo sanguíneo costumam ser os mais considerados – mas, quando não encontrados, não são necessariamente fatores de exclusão.
- Quem pode receber os óvulos?
Casais homoafetivos masculinos que desejam ter um bebê também podem receber óvulos de uma doadora. Neste caso os óvulos serão fertilizados in vitro com o sêmen de um dos cônjuges e os embriões formados transferidos para uma terceira, procedimento este conhecido como “útero de substituição”.
- Como é a preparação – tanto para quem doa como para quem recebe?
A voluntária que fará a doação passa por um tratamento que utiliza hormônios injetáveis para estimular a produção e o crescimentos dos óvulos.
Já a receptora do óvulo passa por um processo que prepara o endométrio para receber o embrião. Este preparo consiste na utilização de medicamentos que irão auxiliar na receptividade endometrial.
O ciclo de indução da ovulação da doadora, e do preparo endometrial da receptora, dura em média 10 a 12 dias. Ultrassons são realizados entre dias alternados para acompanhar a resposta ao estímulo ovariano. Quando os óvulos estiverem no tamanho adequado serão aspirados através de um procedimento cirúrgico com leve sedação.
- Como é efetuada a fecundação dos óvulos?
O sêmen, que foi coletado logo na sequência dos óvulos, é capacitado no laboratório e os espermatozoides são “injetados” no interior dos óvulos(ICSI) ou apenas colocados em contato com os mesmos (FIV).
Os óvulos fecundados ficam em uma incubadora até estarem prontos para a transferência embrionária, que ocorre de 3 a 5 dias após a fertilização.
O número de embriões transferidos varia de 1 a 2, e vai depender tanto da qualidade dos mesmos como da idade da receptora. A partir desta etapa, a mulher passa a fazer uso de uma medicação que auxiliará tanto na implantação do embrião como na manutenção da gravidez. Os medicamentos são utilizados até que a gestação seja confirmada, ou suspensos em caso de resultado negativo.
- Deu certo? Como saber?
Uma vez que o primeiro exame é positivo, os medicamentos são mantidos e o exame repetido após aproximadamente 7 dias.
Quando há confirmação da gravidez é agendado o primeiro ultrassom obstétrico para avaliar a evolução da gestação. Após isso a paciente inicia o pré-natal.
Em casos de resultados negativos, a medicação é suspensa e a menstruação acontece.

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