Malformações no útero. Esse é um dos temas que será debatido no XXII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA), que acontece em Brasília entre os dias 1 a 4 de agosto de 2018.

“O assunto merece visibilidade porque pode interferir no processo reprodutivo. Precisamos alertar às brasileiras a melhor forma de tratar esses casos para que elas realizem o desejo de ser mãe”, afirma o médico certificado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Joaquim Lopes.

As anomalias uterinas podem existir em até 2% das mulheres. Elas são decorrentes de defeitos na formação do órgão durante o desenvolvimento de um feto feminino.

Estimativas apontam ainda que a doença é responsável por 15% dos abortos que ocorrem entre 4 e 6 meses de gestação. “É uma doença que pode não apresentar sintomas e apenas ser percebida a partir das perdas gestacionais. A maioria das pessoas desconhece as malformações”, explica o médico.

As anomalias uterinas que mais impactam o processo reprodutivo são:

Útero septado: é o tipo mais frequente e danoso, responsável por 10 a 12% das perdas gestacionais recorrentes devido a redução do espaço para evolução da gravidez ou mesmo levar a deficiência de irrigação sanguínea para a placenta

Didelfo, bicorno e unicorno: implicam na redução de espaço para o desenvolvimento adequado do concepto

Útero arqueado: apresenta uma discreta irregularidade na cúpula uterina interna e, geralmente, não é considerado deletério para a evolução gestacional.

Agenesia uterino ou Síndrome de Rokitanski: ausência de formação no útero ou formação uterina de forma muito rudimentar associada a ausência de desenvolvimento dos 2/3 superiores da vagina. Nesses casos, pode ocorrer ausência de menstruação e dificuldade para o coito

Apenas na síndrome de Rokitanski ocorre um impedimento para que ocorra a gestação. “Nesse caso, o coito fica prejudicado, não há comunicação entre a vagina e as trompas, onde ocorre o encontro do óvulo e do espermatozóide porque o útero está ausente ou muito rudimentar”, lembra Joaquim.

Os outros tipos de malformação uterina não impedem a gravidez, mas podem dificultar a evolução gestacional pela falta de espaço adequado para o desenvolvimento do feto e até mesmo levar a interrupções prematuras.

Reprodução Assistida x Malformações no útero – A reprodução assistida auxilia as pacientes inférteis devido a malformações no útero. “Essas pacientes podem ter os folículos estimulados e os óvulos coletados e fertilizados”, explica Joaquim. Ainda de acordo com ele, “nesses casos, os embriões resultantes serão obrigatoriamente transferidos para um útero substituto. Ou seja, a mulher que não tem o útero com funcionamento adequado para uma gestação pode recorrer à técnica de gestação de substituição – já regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina”, completa.

CBRA – Brasília receberá, de 1 a 4 de agosto de 2018, o XXII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (XXII CBRA). Cerca de mil profissionais entre médicos, biólogos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais são aguardados no evento, além dos principais nomes da medicina reprodutiva internacional e dos autores dos mais importantes trabalhos científicos na área.

O objetivo é apresentar os avanços da reprodução assistida, trocar experiências entre os pares e buscar alternativas destinadas aos pacientes que desejam realizar o sonho de ter um filho. A iniciativa do Congresso é da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). Saiba mais em: http://sbracongressos.com.br

Fonte: Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA