A fecundidade humana não é só um fenômeno fisiobiológico. É uma manifestação muito mais complexa que responde a uma intrincada rede de desejos. No desejo de ter um filho encontra-se presente o desejo do casal, o desejo da mulher e do homem. Bem como o desejo dos membros da família, que são importantes para esse homem e essa mulher. É assim que a futura gravidez concretiza expectativas que transcendem o âmbito apenas do casal.

A esterilidade, pensada como um acontecimento na vida de um homem ou de uma mulher que desejam ter filhos e não podem, quanto a seu significado emocional, tem sido definida como uma experiência de dilaceração biográfica, colocando a ênfase no sofrimento e conflitos pessoais dos que passam por esta experiência.

Esterilidade um acontecimento na vida das pessoas que pode ser interpretado a partir de diversas perspectivas: uma crise de identidade e de valores; e uma interrupção do projeto de vida pessoal e do casal e, como tal, uma alteração no desenvolvimento dos papéis esperados, tanto dentro da relação do casal como para cada um dos integrantes.

Ter filhos, tornarem-se pais e estabelecer uma família, quando um casal assim o deseja, é considerado, na sociedade, parte da vida adulta dos homens e das mulheres. Quando esta situação esperada não acontece, é necessário um processo de reorganização, tanto individual quanto do casal, para poder lidar com a nova realidade, muitas vezes inesperada, de não poder ter um filho biológico.

Fonte: Comitê de Psicologia da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana