Febre amarela e a gestação

Frente aos surtos de Febre Amarela detectado na Região Sudeste em 2017 com risco real tendendo a se concretizar em 2018, de se estender para outras regiões do Brasil e para áreas muito populosas, a FEBRASGO, através de sua Comissão Nacional Especializada de Vacinas, orienta seus associados e a população sobre os acontecimentos recentes e procedimentos planejados nos últimos meses pelo Ministério da Saúde do Brasil eFebre Amarela

É uma doença viral aguda, febril e de gravidade variável, transmitida pela picada de mosquitos contaminados (Aedes e Haemagogus), com alta letalidade na sua forma hemorrágica (50%), sendo os meses chuvosos mais propícios (caráter sazonal). Não é transmissível entre indivíduos. A forma silvestre é endêmica entre macacos de vários locais do Brasil e a população de risco é constituída por pessoas não vacinadas e que frequentam estes ambientes, sendo esta a forma mais frequente em humanos. Entre 1998 e 2007 foram registrados 331 casos da forma silvestre em humanos e 147 mortes. Com a progressiva expansão das cidades para a zona silvestre, adaptação dos vetores às zonas habitadas ou pela locomoção de pessoas contaminadas nas matas para a zona urbana, há risco constante de ocorrer surtos da chamada febre amarela urbana, embora não haja registro desta forma de doença no Brasil desde 1942. De acordo com o Boletim Epidemiológico n°28/2017 do MS, no período de monitoramento julho/2016 a junho/2017, houve um importante recrudescimento do número de casos registrados, com 777 casos confirmados em humanos e 261 óbitos, além de 1.412 epizootias. Houve um importante surto no primeiro semestre de 2017 em parte de Minas Gerais e Espírito Santo (85% da população do Estado de Espírito Santo foram vacinados). Nessas regiões, informações oficiais até janeiro de 2018, reportam que em 2017 foram confirmados 11 casos e quatro óbitos e 358 epizootias (Mapa).

Não há tratamento específico e, historicamente, a vacinação da população de risco (trabalhadores e pessoas visitantes de áreas risco) tem controlado e evitado esta doença. As áreas de risco, próximas a regiões de doença endêmica na forma silvestre, são definidas pelo Ministério da Saúde e atualmente se estenderam amplamente.

Quadro clínico: incubação de 3 a 6 dias, seguida de fase de viremia caracterizada por febre alta e pulso lento em relação à temperatura, associada a cefaleia, calafrios, mialgia, náuseas e vômitos e prostração, com duração de 3 dias. Após um período de melhora clínica de horas até 2 dias, ou há a resolução do quadro ou é iniciada uma fase característica da forma grave. Continua a febre alta, diarreia e o reaparecimento das náuseas e vômitos, com sinais de sangramento (borra de café). Instalam-se insuficiência renal e hepática graves com as consequentes icterícia, sintomas hemorrágicos e sensoriais. O óbito ocorre após 6-7 dias do início dos sintomas. Há casos de rápida evolução e óbito em 24 horas e casos que evoluem para cura espontânea.

Na gestante: 

Existem poucas informações sobre a febre amarela na gestação, mas acredita-se que haja tendência de pior evolução, associada com risco de abortamento e, até mesmo, óbito da gestante. Em relação à transmissão fetal, nos poucos casos estudados de óbito de mães infectadas, não foram detectadas alterações no feto. A vacina contra febre amarela contém vírus atenuado, por isso, a princípio é contraindicada na gravidez. No entanto, na vigência de surtos de Febre Amarela e risco elevado de doença em gestantes, estas podem ser vacinadas. Nesta situação, a contraindicação de vacina a gestante é modificada de absoluta para relativa.

Diagnóstico: inicialmente é clínico. A sorologia com detecção de IgM, que surge a partir do 5º. dia da doença, ou a detecção seriada de IgG com aumento de 4x do nível inicial, tem resultado relativamente rápido e auxilia no diagnóstico clínico-laboratorial, mas pode estar presente no caso de vacinação prévia. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação viral em camundongos pós-inoculação de material biológico da pessoa doente ou, detecção viral por técnicas especiais em sangue ou amostras teciduais (post-mortem); ambas as técnicas demoram mais de 15 dias para resultado. Diagnóstico diferencial: malária, leptospirose, hepatites virais, dengue (hemorrágica) e púrpuras.

O controle da febre amarela está na dependência da vigilância epidemiológica para identificação de possíveis casos e realizar o bloqueio vacinal e evitar a progressão para novos casos. Logicamente, o controle do mosquito e uso de repelentes podem auxiliar no controle de surtos epidêmicos.

Vacinação padrão 

A vacina é composta por vírus vivo atenuado e, quando indicada, deve ser aplicada por via subcutânea na dose de 0,5ml (dose padrão), para qualquer das idades com indicação de vacinação. A Organização Mundial da Saúde, recentemente, passou a recomendar dose única para viajantes que se destinam a países onde o Certificado Internacional de Vacinação ou Prevenção (CIVP) é exigido. A partir de abril de 2017, o esquema de doses recomendado no Brasil pelo Ministério da Saúde (MS) segue o mesmo da OMS, ou seja, uma dose padrão passa a ser considerada suficiente para imunização por toda a vida, indicada para pessoas que vivem em Área com Recomendação de Vacina (ACRV) ou que vão visita-las (Mapa).

colocados em prática nos dias atuais, visando enfrentar este problema e, logicamente, visando proteger as mulheres já grávidas e as que pretendem engravidar.

Mapa. Áreas Com e Sem Recomendação de Vacina Febre Amarela (ACRV / ASRV), Brasil, atualizado  Janeiro 2018. Fonte: CGDT/DEVIT/SVS/MS (SUS – Portal da Saúde). 

Após a vacinação, o efeito protetivo inicia-se em 10 dias e atinge o ideal após 30 dias, mesmo em crianças, por isso a recomendação de vacinar pelo menos 10 dias antes de viajar ou se deslocar para áreas de risco.

Esquema de doses: dose única, subcutânea, com dose padrão (0,5 ml) é considerada suficiente para proteção ao longo da vida.

Contraindicações: crianças abaixo de 6 meses de idade; pessoas em imunossupressão (HIV, transplantados, câncer, entre outros); gestantes em qualquer fase; mulheres amamentando lactentes com menos de 6 meses; pessoas com história de alergia grave/anafilaxia após ingestão de ovo de galinha ou à vacinação prévia.

Motivos para adiar a vacinação: febre acima de 38,5ºC.

Precauções: 

⦁    A vacinação de indivíduos a partir de 60 anos apresenta um maior risco de eventos adversos graves sistêmicos e deve ser evitada, a menos que haja alto risco de infecção.

⦁    É prudente que uma vacinação com vírus vivo atenuado em mulheres em idade fértil esteja acompanhada de uma adequada orientação de contracepção por 30 dias. Mas, no caso de gravidez neste período, deve-se tranquilizar a gestante, pois o risco teórico de complicações é baixo.

Em epidemias ou situações especiais: deve-se pesar o risco-benefício e podem ser vacinadas pessoas, nas seguintes situações:

⦁    Gestantes: a contraindicação torna-se relativa e estas podem ser vacinadas; o risco elevado de doença em gestante, caracteriza a vacinação como benefício na comparação com um menor risco da vacina com vírus vivo atenuado para o feto.

⦁    Para a mulher amamentando é necessária a

      interrupção do aleitamento por 10 dias   (se bebês com menos de 6 meses);

⦁    Pessoas com doença que atingem o sistema imune (HIV), mas sem sinais de imunossupressão;

⦁    E crianças partir de 6 meses de idade.

Fonte: FEBRASGO

Cérebro das mulheres muda durante a gravidez, confirma estudo

É comum ver grávidas reclamarem que esqueceram alguma coisa ou se sentem mais lentas. O fenômeno, chamado em inglês de “baby brain”, algo como “cérebro de bebê”, já foi questionado pela ciência, mas uma nova pesquisa mostra que, sim, há um pequeno prejuízo no funcionamento do cérebro das futuras mamães.

O trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, que analisaram 20 estudos sobre o tema. Os resultados mostraram que, quando comparadas com mulheres que não estão grávidas, as gestantes apresentam declínio cognitivo, que pode se manifestar com os tais esquecimentos ou dificuldade para raciocinar. O impacto era maior no terceiro trimestre.

Os autores explicam que essas diferenças parecem ligadas à recente descoberta de que há uma diminuição no volume de substância cinzenta no cérebro da mulher durante a gestação. Esse tecido carrega os neurônios e atua em funções cerebrais importantes, como coordenar impulsos elétricos, atividade muscular e processamento de informações.

“O cérebro é muito sensível à ação de hormônios cujos níveis aumentam durante a gestação, sem contar o estresse psicológico e o metabólico do organismo, que precisa nutrir o bebê”, explica Fábio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). “Mas trata-se provavelmente de um transtorno temporário”, conclui Porto.

Vale ressaltar, ainda, que o impacto é leve e não necessariamente sentido por todas as mulheres. De qualquer maneira, há jeitos de preparar a mente para atravessar períodos conturbados. “O ideal é tentar manter uma rotina de sono adequada, se possível dormir um pouco mais até fazer exercícios físicos, mesmo que leves, e atividades que estimulem o cérebro e a concentração, como ler e ouvir música”, ensina o neurologista.

 

Apareceu um mioma uterino no exame de ultrassom: e agora?

Uma mulher faz um ultrassom pélvico ou transvaginal solicitado por seu ginecologista como parte da rotina dos exames periódicos e se depara com o resultado indicando a presença de um “nódulo uterino sugestivo de mioma”. Essa situação é extremamente frequente e, muitas vezes, a informação contida no laudo do exame irá gerar dúvidas e um certo grau de ansiedade. Fato é que a maioria das mulheres, cerca de 80%, vai ter um mioma no útero durante a vida e, para grande parte delas, isso não vai ter nenhum significado!

Nódulos

Miomas são nódulos que se desenvolvem de células do músculo uterino, provavelmente por alterações genéticas e que têm comportamento variável em relação ao crescimento, ou seja, podem ou não aumentar de tamanho com o passar do tempo. Além disso, a importância clínica dos miomas varia com a posição deles no útero. Se estiverem localizados mais externamente, em geral, não provocam qualquer sintoma, exceto se muito volumosos (acima de 7 ou 8cm), quando podem provocar aumento do volume abdominal e vontade de urinar com frequência, de forma similar à gravidez (que também faz o útero crescer e pressionar a bexiga). Quando na parede do útero, também não provocam muitos sintomas, exceto se crescerem, podendo causar dor pélvica e aumento do fluxo menstrual. Por fim, os miomas podem surgir dentro da cavidade uterina, esses sim causam normalmente aumento mais intenso do fluxo menstrual, mesmo os de pequenas dimensões.

Vemos assim, que a simples presença de um mioma só terá importância se provocar algum sintoma, que surge dependendo do tamanho e da posição desse nódulo uterino. No entanto, na maioria das vezes, os miomas permanecem pequenos, sem provocar qualquer alteração clínica. Um seguimento com o ginecologista consegue facilmente monitorizar essa situação tão comum para as mulheres.

Fonte: Sergio Podgaec/Revista Veja

Brasil busca reduzir casos de gestações múltiplas em tratamentos de reprodução assistida

O Brasil vem reduzindo o número de embriões transferidos durante os tratamentos de reprodução assistida em busca de uma taxa menor de gestações múltiplas. O último Registro Latino-americano de Reprodução Assistida indica um aumento em 50% no número de ciclos realizados no Brasil com apenas um embrião. Os casos no qual é feita a transferência de dois embriões foram de 30%, em 2000, para 80% em 15 anos. Essa é uma conquista em busca de maior segurança para os pacientes já que uma gravidez de gêmeos, ou mais bebês, leva a riscos para a futura mãe e para os filhos.

De acordo com Adelino Amaral, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, essa conquista vem sido alcançada devido ao aperfeiçoamento das técnicas e o avanço tecnológico na medicina. “Os centros devem aprimorar suas técnicas de seleção embrionária para escolher os embriões com maior probabilidade de gerar uma gestação. Com isso, aos poucos, estamos conseguindo reduzir as gestações múltiplas, principalmente triplas ou de mais fetos”, explica.

Ainda para o médico, o objetivo dos tratamentos de reprodução assistida deve ser a realização do sonho de ter um filho com o mínimo de riscos possíveis para a saúde do bebê e da mãe. “O nosso foco é obter uma gestação única, evitando assim a possibilidade de morbidade materna e neonatal. Na mulher, a gravidez múltipla leva a maior incidência de diabetes na gestação, pré-eclâmpsia (hipertensão) e parto prematuro. Os bebês comumente nascem antes do tempo e com baixo peso. Por isso, muitas vezes necessitam de terapia intensiva neonatal em unidades hospitalares ”, indica o especialista.

Por que dois ou mais embriões são transferidos na reprodução assistida?

Em tratamentos de fertilização in vitro, quando é feita a transferência de apenas um embrião, as chances de gestação são de 25%. Para aumentar este índice, a medicina de reprodução assistida transfere mais embriões. “A boa notícia é que, após análise rigorosa de dados coletados dos centros de reprodução assistida da América Latina, observou-se que a probabilidade de gravidez quando se transfere ao útero dois ou três embriões em mulheres com menos de 40 anos, é a mesma. Ou seja, para que usarmos mais embriões, que aumentam a taxa de gestação múltipla, se a efetividade é a mesma?”, esclarece Adelino Amaral.

A resolução de reprodução assistida do Conselho Federal de Medicina, atualizada no dia 10 deste mês, limita o número de embriões a serem transferidos para o útero de acordo com a idade da mulher:

• 2 embriões para mulheres até 35 anos;

• Até 3 embriões para mulheres de 36 a 39 anos;

• No máximo 4 embriões para mulheres com 40 anos ou mais.

Fonte: SBRA

Mãe dá à luz bebê que ficou 24 anos congelada na forma de embrião

Uma mulher deu à luz um bebê apenas um ano mais novo que ela. Emma Wren Gibson foi gerada há 24 anos, e, na maior parte de sua existência, permaneceu congelada ainda na forma de embrião.

Emma nasceu no final de novembro e os médicos do Centro Nacional de Doações de Embriões (NEDC, na sigla em inglês), em Knoxville, no Estado americano do Tennessee, dizem que o acontecimento representa um recorde –seria o embrião mais “idoso” que veio a termo.

O embrião foi congelado em 14 de outubro de 1992 e descongelado e transferido para o útero da mãe em 13 de março de 2017.

A mãe, Tina, e o pai, Benjamin Gibson têm, respectivamente, 26 e 33 anos de idade. Tina tinha apenas um ano e meio de vida quando Emma foi concebida.

“As pessoas dizem que é a ciência a responsável, mas eu acho que é um presente de Deus. Com certeza”, disse Tina a uma rede de TV. “Eu só queria um bebê. Eu não ligo se é um recorde mundial ou não.”

“É algo muito emocionante e altamente recompensador ver embriões dessa idade, que usavam técnicas antigas de criopreservação –mais lentas– tenham esse resultado, disse Carol Sommerfelt, que é diretora do NEDC e que realizou o procedimento.

O objetivo do NEDC é promover tanto a “dignidade dos embriões congelados” e que não serão usados por seus genitores, quanto ajudar casais a construir famílias por meio desses embriões doados.

Fonte: Folha de S. Paulo