Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos

Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos

Uma infecção sexualmente transmissível pouco conhecida pode se transformar em uma superbactéria resistente a tratamentos com antibióticos mais conhecidos, segundo um alerta feito por especialistas europeus.

A Mycoplasma genitalium (MG), como é conhecida, já tem se mostrado resistente a alguns deles e, no Reino Unido, autoridades de saúde trabalham com novas diretrizes para evitar que o quadro vire um caso de emergência pública.

O esforço é para identificar e tratar a bactéria de forma mais eficaz, mas também para estimular a prevenção, com o uso de camisinha.

O que é a MG?

A Mycoplasma genitalium é uma bactéria que pode ser transmitida por meio de relações sexuais com um parceiro contaminado.

Nos homens, ela causa a inflamação da uretra, levando a emissão de secreção pelo pênis e a dor na hora de urinar.

Nas mulheres, pode inflamar os órgãos reprodutivos – o útero e as trompas de falópio – provocando não só dor, como também febre, sangramento e infertilidade, ou seja, dificuldade para ter filhos.

A infecção, porém, nem sempre apresenta sintomas.

E pode ser confundida com outras doenças sexualmente transmissíveis, como a clamídia, que é mais frequente no Brasil.

Preocupação

A ascensão da MG ocorre principalmente no continente europeu, mas, no Brasil, o Ministério da Saúde diz que monitora a bactéria tanto pelo aumento da prevalência quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana.

Como a infecção por essa bactéria não é de notificação compulsória no país, ou seja, as secretarias de saúde dos Estados e municípios não são obrigadas a informar os casos, não se sabe quantas são as pessoas atingidas.

No entanto, segundo o Ministério da Saúde, estudos regionais demonstram que ela “é muito menos frequente que outros agentes como a N. gonorrhoeae (responsável pela gonorreia) e Chlamydia trachomatis (responsável pela clamídia) – que, quando não tratadas, também podem causar infertilidade, dor durante as relações sexuais, entre outros danos à saúde.

No Reino Unido, por outro lado, o quadro preocupa, segundo a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, da sigla em inglês).

A associação afirma que as taxas de erradicação da bactéria após o tratamento com um grupo de antibióticos chamados macrolídeos estão diminuindo.

E que a resistência da MG a esses antibióticos é estimada em cerca de 40% no Reino Unido.

Um outro tipo de antibiótico, porém, a azitromicina, ainda funciona na maioria dos casos.

Diretrizes

Novas diretrizes detalhando a melhor forma de identificar e tratar a MG estão sendo lançadas, nesse contexto, no Reino Unido.

Já existem testes para detectar a bactéria, mas eles ainda não estão disponíveis em todas as clínicas da Inglaterra, onde os médicos podem, entretanto, enviar amostras para o laboratório da Public Health England – a agência executiva do Departamento de Saúde e Assistência Social – para obter um diagnóstico.

Peter Greenhouse, especialista em DSTs, recomenda às pessoas que tomem precauções.

“Já é hora de o público aprender sobre a Mycoplasma genitalium”, disse ele. “É mais um bom motivo para por camisinhas nas malas das férias de verão – e realmente usá-las.”

No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que “a realidade ainda é muito diferente da Inglaterra”, mas que é necessário identificar os casos e tratá-los “para interromper a cadeia de transmissão”.

“Vale destacar que a camisinha masculina ou feminina é fornecida gratuitamente pelo Sistema único de Saúde (SUS), podendo ser retirada nas unidades de saúde de todo o país”, lembra.

Fonte: G1

Ovário artificial poderá ajudar mulheres com câncer que desejam ter filhos

Ovário artificial poderá ajudar mulheres com câncer que desejam ter filhos

Retirar o ovário é uma etapa comum do tratamento de mulheres com tumores nesse órgão, sem contar que a própria quimioterapia pode impedir que o local se regenere, impossibilitando uma gestação. Para contornar a infertilidade que acompanha estes casos, há alguns anos nasceu a técnica de criopreservação, que ainda é experimental, e consiste em congelar uma parte do tecido ovariano e a reinserir na mulher quando o tratamento acabar.

O problema é que a malignidade do tecido, ou o seu potencial para virar câncer, pode sobreviver ao congelamento, e a preservação dos óvulos, que é uma opção mais estabelecida e simples para esses casos, nem sempre pode ser feita. Agora, cientistas dinamarqueses anunciaram um ovário artificial que demonstrou suportar a vida dos folículos, estruturas que liberam o óvulo para que ele seja fecundado e gere um bebê.

O trabalho foi apresentado esta semana no 34º Encontro Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), em Barcelona, pelo Rigshospitalet’s Laboratory of Reproductive Biology, da Dinamarca. A premissa tem ares de ficção científica. “Um ovário feito com bioengenharia poderia permitir o crescimento de folículos anteriormente congelados em um novo tecido, livre de malignidades”, explicou Susanne Pors, pesquisadora do Rigshospitalet’s e autora do trabalho no material de divulgação.

Entenda como foi feito o ovário

Os pesquisadores utilizaram amostras de células foliculares e tecido do ovário colhidas das mulheres antes que elas recebessem o tratamento para câncer. Depois, o tecido foi submetido a um procedimento que “descelulariza” a área – ou seja, mata as células vivas presentes para que o tecido vire apenas uma espécie de forma ou plataforma para um novo órgão se desenvolver.

O resultado é uma base sem células, chamada de matriz extracelular, que é uma promessa da bioengenharia já estudada para outros lugares do corpo. Neste caso, as células foliculares foram inseridas na matriz extracelular ovariana, que já continha nutrientes e estruturas do ovário e poderia simular o ambiente onde os folículos cresceriam e alcançariam a fase antral, quando estão prontos para funcionar.

“Descobrimos então que as células ovarianas e os folículos primários foram capazes de recelularizar o tecido in vitro, migrando para a matriz e repovoando-a”, explicou Susanne. Os transplantes do tecido em roedores, que foram feitos após essa etapa de cultivo, mostraram que o ovário artificial suportou o crescimento dos folículos primários.

Limitações

Ainda é muito cedo para especular se ou quando a técnica poderá ser aplicada em humanos. Primeiro, é preciso avaliar a qualidade do funcionamento dessa estrutura. “A biologia nos sugere que os óvulos dentro dos folículos interagem intrinsecamente com seu entorno e com as células ovarianas. Folículos que crescem sem essas células de suporte poderiam ter seu desenvolvimento prejudicado”, comentou Ying Cheong, professor de Medicina Reprodutiva da Universidade de Southampton, nos Estados Unidos, após assistir a palestra.

Ou seja, trata-se de uma possibilidade para um futuro distante, que exige mais estudos in vitro duradouros e, depois, in vivo, em animais e humanos.

Fonte: Bebe

Endometriose X Endometrioma

Endometriose X Endometrioma

A endometriose, doença silenciosa que afeta mais de 7 milhões de brasileiras, será um dos temas debatidos no XXII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA), que acontece em Brasília entre os dias 01 a 04 de agosto de 2018. “Se considerarmos que cerca de 20% dos casais que desejam engravidar concebem por mês, a endometriose sem tratamento poderia prejudicar a fertilidade ao extremo de 90% dos casais afetados”, afirma a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Hitomi Nakagawa.

A endometriose representa 1/3 das doenças ginecológicas em idade fértil da mulher, ou seja, dos 15 aos 49 anos.  Apesar de estar presente em torno de 10% das mulheres férteis, 1/3 das pacientes com esse diagnóstico enfrentam problemas de fertilidade. Além disso, desse total, entre 17 a 44% podem desenvolver o endometrioma – um estágio avançado da endometriose.

“O endometrioma é um cisto ovariano de conteúdo espesso e escuro  contendo sangue degradado. Apesar de ser uma alteração benigna alguns sintomas podem ser desconfortáveis à mulher como, dor pélvica e intensas cólicas menstruais; além de comprometer a fertilidade feminina”, lembra Hitomi. A presidente da SBRA explica ainda que os mecanismos que levam à infertilidade vão desde alterações hormonais para ovulação, até alterações no útero, distorções na anatomia pélvica ou interação do óvulo com o espermatozoide.

Endometriose e endometrioma x Reprodução Assistida – As técnicas de reprodução humana assistida (RHA) aumentam as chances de realizar o sonho da maternidade porque proporcionam expressivos ganhos à correção desses distúrbios.

“Por permitir a coleta do óvulo dentro do ovário e trabalhar com um óvulo e um espermatozoide, em laboratório, a reprodução assistida soluciona as várias etapas das dificuldades reprodutivas”, pontua Hitomi. Esse tipo de tratamento deve ser escolhido conforme a idade da paciente, o histórico familiar, o tempo de infertilidade, o grau da doença e as condições tubárias e dos espermatozoides.

CBRA – Brasília receberá, de 1 a 4 de agosto de 2018, o XXII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (XXII CBRA). Cerca de mil profissionais entre médicos, biólogos, enfermeiros, psicólogos e outros são aguardados no evento, além dos principais nomes da medicina reprodutiva internacional e dos autores dos mais importantes trabalhos científicos na área. O objetivo é apresentar os avanços da reprodução assistida e alternativas destinadas aos pacientes que buscam realizar o sonho de ter um filho. A iniciativa do Congresso é da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). Saiba mais em:http://sbracongressos.com.br

Fonte: SBRA

Saiba como a depressão impacta na fertilidade do casal

Saiba como a depressão impacta na fertilidade do casal

Homens diagnosticados com depressão podem contribuir para diminuir as chances de gravidez do casal em tratamento de infertilidade.  É o que aponta o estudo do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) – publicado pelo periódico científico “Fertility and Sterility”.  A pesquisa também identificou que o uso de alguns antidepressivos pela mulher (como os inibidores não-seletivos de recaptação de serotonina) pode elevar o risco de aborto espontâneo nas primeiras semanas da gestação.

De acordo com o médico creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Fábio Eugênio Magalhães Rodrigues, o resultado é esperado porque o fator depressivo no homem diminui a libido, e o uso de alguns medicamentos antidepressivos retarda a ejaculação e afeta a qualidade da produção do sêmen. “São fatores que contribuem para diminuir a frequência da relação sexual em casais que tentam engravidar por métodos mais simples como a indução de ovulação ou inseminação intrauterina”, aponta o médico.

Em contrapartida, a pesquisa não identificou qualquer problema na chance de gravidez se a metade feminina do casal sofrer com depressão ou usar outro tipo de antidepressivos. “O único ponto de atenção é direcionado àquelas que fazem uso de antidepressivos não seguros, pois podem ter um risco de aborto no primeiro trimestre”, explica Rodrigues.

Os remédios mais seguros são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina como a fluoxetina e sertralina pois carreiam risco mínimo de formações congênitas durante a gravidez. “Mulheres em idade reprodutiva precisam redobrar atenção em relação ao uso contínuo de medicamentos. É preciso assegurar a saúde do feto e não prejudicar o processo de formação”, reforça.

Apesar do uso de antidepressivo não diminuir a chance de engravidar, recomenda-se buscar a orientação do psiquiatra para que ele avalie a possibilidade do desmame antes do tratamento ou a diminuição da dose.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida defende uma abordagem multidisciplinar aos casais com problemas de fertilidade conjugal pois, muitas vezes, eles se sentem  inseguros e fragilizados. “Prezamos pelo cuidado com os fatores psicológicos e da saúde física e mental como um todo. É importante o apoio em conjunto entre o médico e a equipe de psicólogos para quaisquer indicativo de stress ou depressão”, finaliza. Lembrando que os tratamentos de psicoterapia podem ser conduzidos inclusive sem medicação.

Amostra e resultados – Os pesquisadores analisaram dados sobre 1.650 mulheres e 1.608 homens. Entre elas, 5,96% foram classificadas como tendo depressão severa, contra 2,28% deles.

A combinação de dados também mostrou que as mulheres que usavam antidepressivos inibidores não-seletivos de recaptação de serotonina tinham 3,5 vezes mais chances de um aborto espontâneo no primeiro trimestre da gravidez do que as que não tomavam este tipo de medicamento.

Já nos casais em que o homem era quem sofria com depressão severa, os cálculos indicam que eles tinham uma chance 60% menor de chegar à concepção e uma gravidez a termo do que os que o homem não estava deprimido.

A pesquisa revelou ainda que 41% das mulheres que procuram tratamentos para infertilidade sofrem com sintomas de depressão enquanto cerca 50% dos homens de casais que buscam o tratamento de fertilização in vitro são deprimidos.

O estudo excluiu casais que passaram por tentativas de fertilização in vitro porque os autores consideraram que este tipo de procedimento poderia contornar algumas das possíveis influências da depressão na concepção, como um desejo sexual reduzido ou baixa qualidade do esperma.

Por Deborah de Salles com informações publicadas em O Globo

Relação sexual sem proteção é fator de risco para a Doença Inflamatória Pélvica

Relação sexual sem proteção é fator de risco para a Doença Inflamatória Pélvica

Mulheres que não tomam o cuidado de se proteger na hora da relação sexual pode desenvolver a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que pode levar à infecção das tubas uterinas (salpingite). A estimativa é que em 85% dos casos, a DIP é causada por micro-organismos sexualmente transmissíveis. Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), uma em cada quatro mulheres com a doença irá ter sequelas em longo prazo, incluindo a infertilidade.

De acordo com o ginecologista Edvaldo Cavalcante, a Doença Inflamatória Pélvica é uma infecção do trato genital superior, que acontece quando as bactérias ultrapassam o colo uterino, atingindo o útero, tubas uterinas e ovários. “Hoje, sabemos que é uma infecção polimicrobiana, ou seja, vários micro-organismos podem estar envolvidos no desenvolvimento desta condição. Estima-se que 70% das infecções genitais são causadas por Clamídia, Gonococo, Mycroplasma e Ureroplasma”, comenta o especialista.

No período menstrual e logo após a menstruação, o colo uterino apresenta uma abertura maior, há maior fluidez do muco cervical e contrabilidade uterina. Essas três características podem facilitar a ascensão das bactérias para o endométrio, tubas e ovários. Inicialmente, a DIP irá causar uma endometrite, ou seja, infecção do endométrio. Quando não tratado, o problema pode evoluir para a salpingite (infecção nas tubas), abscesso tubo-ovarino e, em alguns casos, para uma peritonite pélvica. Conforme o ginecologista, até 40% das mulheres que apresentam infecção gonocócica ou por clamídia, se não tratadas, poderão apresentar um quadro de salpingite aguda.

“Isso que pode acarretar na formação de aderências, que contribuem para a ocorrência de possíveis complicações, tais como dor pélvica crônica, infertilidade por fator tubário e gravidez ectópica [fora do útero]”, comenta Edvaldo Cavalcante.

As manifestações clínicas da Doença Inflamatória Pélvica são muito diversificadas e isso pode atrasar o diagnóstico. Outro ponto é que algumas mulheres são assintomáticas e só descobrem o problema ao tratar a infertilidade. “A dor pélvica é uma manifestação importante, assim como corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, odor vaginal forte, dor abdominal abaixo do umbigo, febre e dor durante o exame ginecológico. Algumas mulheres podem ainda apresentar sangramento uterino anormal, dispareunia [dor na relação sexual] e dor ao urinar”, esclarece o ginecologista.

Tratamento

Após o diagnóstico adequado, o tratamento geralmente é clínico com uso de analgésicos e antibióticos. Entretanto, quando não há resposta do organismo à terapia medicamentosa, pode ser necessário realizar abordagem cirúrgica – videolaparoscopia – para drenar possíveis abcessos tubo-ovarianos. “Os abcessos que se formam nas tubas e nos ovários podem se romper, disseminando a infecção para outros locais, o que é uma emergência médica”, comenta o especialista.

Edvaldo orienta que a melhor prevenção é usar o preservativo em todas as relações sexuais e procurar diminuir o número de parceiros. Também é fundamental que as mulheres na faixa etária de risco (até 25 anos) consultem o ginecologista regularmente.

Infertilidade de ambas as partes no casal é mais comum do que se imagina

Infertilidade de ambas as partes no casal é mais comum do que se imagina

Considerada ainda um tabu, a infertilidade afeta 15% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A persistência do preconceito que envolve o tema está justamente em algumas crenças populares que sugerem que apenas um dos integrantes do casal é responsável pela impossibilidade de fecundação. Porém, o diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) Hector Yuri Conti Wanderley afirma que as causas podem envolver ambos os parceiros.

“O aconselhamento genético realizado pelo médico geneticista, seguido da avaliação complementar adequada do casal infértil, pode auxiliar no esclarecimento da sua causa, que varia conforme as especificidades de cada gênero. Um terço das causas envolve o fator masculino assim como também envolve o feminino. Outro terço está ligado a fatores mistos ou a causa não pode ser identificada”, explica Wanderley.

Nos homens, a avaliação de alterações cromossômicas pelo cariótipo e a pesquisa de microdeleção do cromossomo Y são essenciais para avaliar alguma causa genética envolvida na infertilidade. Em situações onde existe atrofia dos vasos deferentes, a investigação para fibrose cística também se torna necessária.

Já em mulheres, a pesquisa de alterações cromossômicas pelo cariótipo e a investigação molecular onde se apresenta falência ovariana precoce podem detectar síndromes genéticas, tais como a síndrome do X frágil.

Além das questões de ordem genética, o hábito de vida pode afetar a fertilidade, como obesidade, tabagismo, estresse, má alimentação e uso de drogas. Além disso, fatores externos como exposição à poluição e produtos tóxicos também podem ser elencados como responsáveis pela dificuldade em engravidar.

Fonte: ESHoje

Novo exame pode melhorar os resultados nos tratamentos de ovodoação

Novo exame pode melhorar os resultados nos tratamentos de ovodoação

Novo exame imunológico – KIR – HLA – C – Orienta na escolha do perfil imunológico ideal da doadora de óvulos e pode melhorar as chances de sucesso nos tratamentos de ovodoação. Pode ainda orientar a escolha da amostra nos bancos de sêmen e evitar abortos e complicações na gestação.

Existem muitas causas de infertilidade, e praticamente todas são tratáveis. Medicamentos induzem a ovulação quando ela não for adequada; cirurgias recuperam problemas da anatomia do aparelho reprodutor quando houver alterações, como aderências pélvicas ou obstrução tubária; a endometriose é tratável pela videolaparoscopia; os espermatozoides quando não estiverem presentes no sêmen poderão ser retirados do testículo por mini Intervenções cirúrgicas e, por fim, a fertilização in vitro (FIV) resolve quase todos os problemas. Todas estas dificuldades causam uma dor maior ou menor no sentimento da mulher, e os tratamentos disponíveis para estes problemas aliviam o sofrimento com alguma facilidade. De todos os diagnósticos conhecidos, o mais difícil de ser aceito pela mulher é o da ausência de óvulos capazes de serem fertilizado, isto é, o ovário não fabrica mais óvulos capazes de gerar filhos. É um momento de decepção, pois ela acredita que não será mais possível ser mãe.

A solução é a DOAÇÃO DE ÓVULOS. Estas mulheres podem ser mães e gerar seu(s) filho(s) no seu próprio ventre, tendo um bebê fruto dos espermatozoides do seu marido e um óvulo de uma mulher doadora.

Entretanto este tratamento pode ser ainda muito mais frustrante quando, após este período de conhecimento e aceitação do tratamento com óvulos doados, mais uma vez, a gestação não ocorreu, o tratamento não deu certo. Ainda mais quando todos os exames já foram realizados para evitar o insucesso; trombofilias, ressonância magnética, pesquisa da adenomiose, endometriose, videohisteroscopia, biópsia de endométrio, ERA, Cine Mode Display, não faltava mais nada. TALVEZ…

Outros problemas raros podem impedir a implantação dos embriões.

Este novo exame de sangue, que tem o nome de KIR – HLA- C (KIR= KillerImmunoglobulin-likeReceptors e HLA-C = HumanLeucocyteAntigen- Antígenos Leucocitários Humanos), pode ajudar a melhorar os resultados nos tratamentos de fertilização assistida com óvulos doados. Este exame já vem sendo utilizado pelo IPGO em casos de falhas de implantação ou abortos em FIVs com óvulos próprios, mostrando que, em alguns casos especiais, transferir um único embrião pode dar melhores resultados quando comparamos a transferência de dois embriões ou mais. Nos casos de ovodoação, este exame ainda permite saber de antemão se o casal necessita de uma doadora que, além de ser saudável e ter as características físicas compatíveis com o casal, tenha também um padrão imunológico compatível com eles. Mas não é todo o casal que precisa deste detalhe imunológico da doadora e por isso consideramos que este exame deve ser indicado após uma avaliação criteriosa do casal, não como rotina. Isso se baseia no fato de que todas as mulheres têm, no seu útero, células imunológicas (chamadas NK) com receptores capazes de reconhecer o embrião quando esse chega ao útero materno. Embora muitos estudos demostrem a associação de uma atividade aumentada de células NK no endométrio que produza uma atividade citotóxica exagerada poderia estar relacionada a perdas gestacionais e com falhas de implantação, abortos e problemas tardios na gravidez (o IPGO tem seguido esta teoria), novos estudos vem mostrando que a ação da célula NK uterina é mais complexa.

Estes receptores das células NK chamam-se KIR e se dividem em três grandes grupos genéticos (KIR AA, KIR AB e KIR BB). Eles têm função inibitória ou estimulatória sobre as células NK e importância fundamental na implantação dos embriões, na formação da placenta e, consequentemente, no próprio desenvolvimento da gestação. No passado, acreditava-se que todas as células NK (natural killer=células assassinas), tinham capacidade extremamente citotóxica, ou seja, de matar células estranhas ao organismo, como, por exemplo, as tumorais ou infectadas por vírus. Nos últimos anos, observou-se que existe outro tipo de célula NK no útero com outra função: liberar substâncias imunomoduladoras que estimulam a invasão das células trofoblásticas (do embrião) no endométrio de forma adequada, sendo importante para garantir a implantação e formação adequada da placenta.

A ausência das células NK pode causar falhas de implantação e, por uma formação deficiente da placenta, abortos, restrição de crescimento do bebê e pré-eclâmpsia. A ação dessas células, tão importantes para uma gestação normal, depende de uma perfeita interação imunológica entre uma molécula da superfície das células do embrião (chamada HLA-C) e os receptores KIR das células NK uterinas.

Todo ser humano dispõe, em suas células, de antígenos (moléculas que intragem com o sistema imune) denominados HLA que distinguem os antígenos do próprio organismo dos estranhos. Os antígenos HLA representam a “marca registrada” de cada indivíduo, a “impressão digital” única, que pode ter uma similaridade maior ou menor com duas pessoas.

Quanto maior a distância dessa similaridade, maior a chance de rejeição. O antígeno HLA é uma denominação genética que, nos casos de transplantes de órgãos, tem o objetivo de avaliar o doador ideal para determinado paciente.

Como o embrião de uma receptora é composto de 50% de material genético paterno e 50% de material genético da doadora, tem molécula HLA-C da doadora e paterna. As células NK reconhecem o HLA-C estranho ao seu organismo, ou seja, o HLA de origem paterna. Entretanto, quando a célula NK em questão reconhece este HLA diferente, ela não induz à rejeição, como nos transplantes, mas libera citocinas importantes para gestação (CITOCINAS são substâncias segregadas por células do sistema imunológico que controlam as reações imunológicas do organismo).

O HLA-C do embrião pode ser de dois tipos: C1 e C2. A molécula C1 interfere pouco na atividade da célula NK, então pouco afeta a gestação. Já a C2 tem uma ação muito maior sobre os receptores KIR, sendo, então, mais importante para a gestação. Entretanto, sua ação vai depender do tipo de receptor KIR. Este é determinado por um grupo de genes (haplotipo) que pode ser definido como grupo A, quando gera receptores somente com atividade de inibição; ou grupo B, quando gera algum receptor com atividade estimulatória. Assim, a mãe pode ser AA, AB ou BB (pois tem um haplotipo herdado do pai e um da mãe).

Novos estudos, realizados na Espanha, pela equipe liderada pela Drª Diana Alecsandru, imunologista da clínica IVI Madri,revelaram, entre outras coisas, que a união dos receptores KIR AA com antígenos HLA-C2 paterno é uma combinação de risco para o ser humano, uma vez que o HLA-C2 tem uma forte ação sobre os receptores KIR AA, que têm função inibitória sobre as células NK protetoras que se tornam inativas. Isso, portanto, dificultaa implantação e formação da placenta de forma adequada, levando às complicações já descritas.

Quando transferimos dois embriões, a situação se agrava, pois há estímulo HLA-C2 paterno de mais de um embrião, bloqueando, no caso de KIR AA, ainda mais essa ação protetora.

No caso de óvulos doados, o embrião apresentará um HLA-C do marido e um da doadora de óvulos, ambos reconhecidos como estranhos ao sistema imune materno. Dessa forma, no caso de mulher KIR AA, se o embrião tiver C2 proveniente do pai e doadora, o risco será muito elevado, com taxas de nascimentos muito baixas.

Para evitar essas complicações, pode-se avaliar o KIR da mulher,o HLA-C do homem e HLA-C da doadora,por meio de exames de sangue.

  • KIR da mulher: No exame do KIR, avalia-se se a mulher é KIR AA, AB ou BB. Quando a mulher é AB ou BB, não há risco, não precisando avaliar o HLA-C do marido ou doadora. Quando a mulher é KIR AA, deve-se, então, fazer essa avaliação.
  • HLA-C do homem: No caso do HLA, considerando que herdamos um HLA-C do pai e um da mãe, o parceiro poderá ser C1C1, C1C2 ou C2C2. Se for C1C1, o embrião gerado terá sempre HLA paterno C1. Se C2C2, sempre o embrião terá C2. E se o marido for C1C2, os embriões formados têm 50% de chances de terem HLA paterno C1 e 50% de chances de terem C2.
  • HLA-C da doadora: A doadora de óvulos também poderá ser C1C1, C1C2 ou C2C2.

No caso de mulher KIR AA, o ideal é escolher uma C1C1, assim, temos a certeza que o embrião não herdará C2, principalmente se o marido for C1C2 ou C2C2. E, então, o número de embriões transferidos será de acordo com o HLA-C do parceiro: até dois, se homem C1C1; ou somente um, se C2C2 ou C1C2.

Observação:se o marido for C1C1, pode-se optar por transferir um só embrião, independente do HLA-C da doadora.

  • Banco de Sêmen: nos casos de falhas repetidas de tratamentos provenientes de banco de sêmen, é recomendável que a futura mãe faça a pesquisa dos receptores KIR. Caso ela seja KIR AA, a recomendação é que o doador seja HLC-A C1C1. O problema é que os bancos de sêmen, até o momento, não incluem este exame na pesquisa dos doadores. Neste caso, pode-se optar por transferir somente um embrião.

A implantação embrionária pode falhar quando:

  • A mãe é haplotipo KIR AA
  • O embrião herda o HLA-C C2 do pai e/ou da doadora de óvulos
  • A chance de complicação é maior quanto mais HLA-C2 presente no pai e na doadora de óvulos.
  • Nos casos acima, os resultados são piores quanto maior o número de embriões transferidos.

Mãe KIR AA x HLA-CC2 paterno e/ou de doadora

  • Diminuem as chances de implantação
  • Aumentam as chances de aborto (47,8%)
  • Favorece restrição de crescimento do bebê
  • Favorece pré-eclâmpsia
  • Limita o número de embriões transferidos a um por vez
  • Direciona a busca de doadora de óvulos sem C2
  • Pode direcionar a escolha da amostra nos bancos de sêmen de doadores sem C2 paterno

Conduta frente ao resultado do KIR (mulher) e HLA-C (paterno) na Ovodoação

* Não precisa pedir HLA-C da doadora
Conduta frente ao resultado do KIR (mulher) quando Banco de Sêmen

Referências Bibliográficas:

  1. Alecsandru D, García-Velasco JA. Immunology and human reproduction. CurrOpinObstet Gynecol. 2015 Jun;27(3):231-4.
  2. Alecsandru D, García-Velasco JA. Why natural killer cells are not enough: a further understanding of killer immunoglobulin-like receptor and human leukocyte antigen. FertilSteril. 2017 Jun;107(6):1273-1278.
  3. Alecsandru D, Garrido N, Vicario JL, Barrio A, Aparicio P, Requena A, García-Velasco J. Maternal KIR haplotype influences live birth rate after double embryo transfer in IVF cycles in patients with recurrent miscarriages and implantation failure. HumReprod. 2014 Dec;29(12):2637-43.
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Fonte: Alecsandru D, García-Velasco JÁ